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Vazamentos na Comic-Con, um problema da modernidade

14 de julho de 2015, POR

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Vazamentos ocorreram na maior feira nerd do mundo, a Comic-Con, e os estúdios estão ficando com o pé atrás em continuar trazendo conteúdo original e exclusivo para a feira. Seria essa uma atitude compreensível ou os estúdios estariam exigindo mais do que deviam de seus fãs? Veja uma discussão sobre o assunto!

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Um dos maiores eventos nerds, a Comic-Con, traz consigo um desconforto desnecessário.

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Um dos maiores eventos nerds, a Comic-Con, traz consigo um desconforto desnecessário.

Vivemos em uma época em que a velocidade da informação já é capaz de ultrapassar gigabits por segundo. Não há mais nada que fique ileso e não consiga escapar dos comentários gerados nas redes sociais. Na internet, tudo é visto, e o que é visto jamais será desvisto – profundo não!?

No último final de semana, trailers exibidos exclusivamente para a Comic-Con desse ano simplesmente brotaram na internet minutos depois de suas exibições, em imagens feitas com smartphones em baixa qualidade em uma gravação contínua superior a 3 minutos – de se suspeitar não?! 

É simples, vivemos em um tempo impossível de conter empolgação dos fãs com um incrível material que foi apresentado na maior feira nerd do mundo. É um processo natural e extremamente óbvio. Está na natureza humana. Partir do princípio de que nenhum material será capaz de vazar é simplesmente ser inocente demais diante uma sociedade tão feroz por grandes novidades.

Os trailers de Esquadrão Suicida, Deadpool e X-Men: Apocalypse, vazaram em suas versões completas após alguns minutos de sua exibição, justamente quando o painel de cada um se encerrou. Jogos Vorazes: A Esperança, O Final, por exemplo, que também é um filme de grande apelo, não teve sequer uma imagem vazada.

A segurança foi falha ou os estúdios foram relaxados?

O hall H da Comic-Con, local da apresentação dos principais painéis, comportou cerca de 7 mil fãs. Todos fãs dos quais acamparam e dormiram na fila por dias e dias para conseguirem entrar e assistir seu painel preferido, muitas das vezes deixando de ver outros painéis que ocorrem simultaneamente – perdendo assim, materiais exclusivos, mas para cada escolha há uma negação.

Milhares de pessoas comparecem ao evento, e apenas uma pequena porcentagem tem a sorte de conseguir um lugar no salão, que ainda reserva espaço para jornalistas. E já sabemos, lá dentro, é completamente proibido utilizar aparelhos eletrônicos quando se exibe um material de direitos autorais – como trailers e clipes.

Vários seguranças estão sempre lá preparados para evitar que o telão seja filmado. Como vocês puderam perceber, a segurança foi falha. Mas a grande questão é, porque ela funcionou em outros painéis, como o dos Jogos Vorazes, e falhou nos painéis justamente dos quais os estúdios sabiam que haveria o maior apelo do público por seu material?

Nesse caso, não seria melhor ter apenas aumentado a segurança? Uma vez que o estúdio é o principal fornecedor de informação no painel para os fãs, ele próprio precisa garantir a integridade do material. Se não quer que algo vaze, precisa tomar precauções, aumentar a segurança, planejar ações imediatas e adotar uma série de outras medidas.

Sinceramente contar com “não vai vazar, os fãs não farão isso”, apesar de ser um principio de confiança, é negar um dos maiores riscos óbvios que uma corporação tem, em eventos como este. É uma obrigação fundamental do estúdio garantir tanto o seu próprio bem estar quanto o bem estar dos próprios fãs. Então, por que, ainda sim, falhou no momento certo?

Uma jogada de marketing ou fãs desrespeitosos?

Vocês podem pensar “lá vem uma teoria maluca da conspiração”. Mas, há um princípio do marketing que se chama storytelling, e uma boa história – ou em tempos modernos, uma boa treta – se transforma em marketing viral que atrai instantaneamente a atenção do público em massa.

É o marketing duas caras em que o papel do vilão e do herói fica por conta da própria empresa. Enquanto o “vilão” está do lados dos fãs atuando como uma espécie de Robin Hood, o “herói” precisa mostrar o quanto ficou fragilizado e está fazendo o máximo para conter o “vilão” e suas peripécias.

A tensão então é criada em torno do ambiente, e o público fica ainda mais eufórico, a ponto de se sentir mal por ter visto o material lançado pelo “vilão” Robin Hood. Uma trama clássica aplicada diretamente em um marketing oculto nas ações de algumas empresas. Também é um marketing de grande risco.

Voltamos a lembrar: “o que é visto jamais será desvisto”, pois bem. Haja assunto para comentar por vários dias daqui em diante. Nesse ponto é onde tal tipo de marketing cumpre o seu papel. Se foi isso que aconteceu na Comic-Con jamais saberemos, mas não é uma hipótese a ser descartada.

De qualquer forma, a conduta dos fãs no local deveria ser respeitosa a ponto de não quebrar a exclusividade que foram apresentadas especialmente a eles durante o painel. Mas contar com que todos os fãs sejam idôneos durante o evento, é dar um tiro no próprio pé e pedir para ter seu conteúdo disseminado na internet.

A questão, alias, não chega nem a ser julgar os fãs. É compreensivo a empolgação do momento, é compreensível que as pessoas queiram divulgar o que está ali sendo exibido em primeira mão. Não podemos julgar os fãs, assim como não podemos colocar os estúdios em pedestais vitimizados.

Não importa o quanto você defenda veemente, seja os estúdios ou seja o responsável pela gravação. O fato é que nenhuma das partes foi correta em sua conduta. E crucificar os demais fãs é estrangular o próprio estúdio, e é um processo péssimo para a imagem do marketing de uma grande corporação.

Apenas é perceptível que vários pontos indicam que tudo aconteceu na hora certa e no lugar certo. Os painéis mais desejados vazaram. Quem filmou conseguiu executar a ação por mais de 3 minutos – 0 que é de se suspeitar. Quem filmou esperou todo o painel acabar e as novidades serem anunciadas. Nenhum segurança viu, ninguém viu. E os estúdios atuaram como se isso não fosse acontecer.

Sobre tudo isso, Sue Kroll, presidente de marketing e distribuição internacional da Warner Bros, primeiro, revelou ontem mais cedo:

“Atualmente, não temos planos de lançar o vídeo de Esquadrão Suicida que vazou do Hall H no sábado. A atitude que um indivíduo teve ao filmar o trailer foi prejudicial e quebrou a confiança que desfrutamos ao longo de anos com nossos fãs na convenção, ao postar esse material mais cedo. Esse material era exclusivo para a Comic-Con, e ainda estava inacabado”.

Do ponto de vista do marketing, é o tipo de declaração que causa extremo desconforto. E por este motivo, provavelmente, horas depois Seu voltou com outra declaração contradizendo a afirmação de não lançar o vídeo do Esquadrão:

“A Warner Bros. Pictures e nossa equipe de anti-pirataria tem trabalhado incansavelmente nas últimas 48 horas para conter as imagens do Esquadrão Suicida, que foram pirateadas do Hall H no sábado. Não temos sido capazes de cumprir essa meta. Então, hoje, nós liberamos as mesmas imagens que tem circulado ilegalmente pela internet, na forma em que foram criadas e em alta qualidade com a qual foram concebidas para sempre apresentadas. Lamentamos esta decisão, afinal, nossa intenção era manter as imagens como uma experiência única para o pessoal da Comic-Con, mas não podemos continuar permitindo que o filme seja representado em baixa qualidade por uma imagem pirateada e roubada de nossa apresentação”.

Mais desconforto causado. As “imagens como experiência única para o pessoal da Comic-Con”. É comum bater nessa tecla, ainda arcaica. Mas é preciso ressaltar que não é um acontecimento exclusivo da Comic-Con 2015, já aconteceu em outros anos e deveria ser previsto.

Há um lado que veemente defende esse principio das imagens como responsáveis pela experiência da Comic-Con, e de fato são, mas se bitolar nesse principio é inválido diante tudo que a Comic-Con ainda oferece. O diretor David Ayer revelou que o vazamento é injusto com os fãs que dormiram dias na fila da Comic-Con para assistir um trailer exclusivo.

Mas, se esquece que a verdadeira experiência na Comic-Con está além das imagens, está na emoção do momento, está em ver os anúncios ali em primeira mão, ver o elenco diante os seus olhos, se contagiar por toda aquela emoção quando algo é exibido em uma sala exclusiva e nem sequer é transmitido em tempo real para o que estão fora daquele ambiente.

Os fãs dormem dias na fila para ter uma experiência única, experiência da qual não deixaram de ter com o excelente trabalho de anúncios no painel da Warner e da FOX no evento. E quando um painel acaba, não se pode culpar um nerd, um fã. Quem é nerd, quem é fã, vai desejar sair comentando sobre tudo enquanto estava lá no painel e se possível até mostrar aos amigos que não estavam.

Melhor do que causar todo esse desconforto, seria adotar uma postura mais amigável com todos os fãs. Uma empresa que diz que preza o estabelecimento de uma confiança ao longo de anos, mas simplesmente proporciona desconforto com todos os outros milhões de fãs por uma falha da própria empresa, é de se suspeitar.

Tudo seria facilmente resolvido, sem estabelecer uma atitude dramatizada para o grande público fora do evento, que em suma, não tem culpa por tudo isso. O estúdio teria condições de sair por cima, afinal já vimos que não há problemas em divulgar o material oficial logo em seguida ao painel, como fizeram com Batman vs Superman e O Agente da U.N.C.L.E.

É realmente uma situação complicada. Há o lado do estúdio, há o lado dos fãs. Mas, ao mesmo tempo, ao menos em minha opinião, uma empresa que não quer que algo aconteça, precisa tomar precauções, e não chega a ser por falta de confiança mas para garantir a exclusividade aos fãs que estão lá dentro, como Sue Kroll tanto prezou em suas declarações mas falhou durante o evento.

Por todo esses motivos todo o discurso chega a ser exagerado demais. Por fim, caso o estúdio deseje mesmo exclusividade máxima, está mais do que na hora de alguém criar uma película tecnológica reflexiva para dispositivos eletrônicos, assim ninguém seria capaz de capturar a tela – se não me engano, uma tinta vem sendo produzida para telas de cinema, que bloqueia a capacidade de gravação dos dispositivos eletrônicos.


Mas e vocês, quais são as opiniões sobre vazamentos em eventos?

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