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Opiniões

Mulheres, Feminismo e a Cultura Nerd

1 de novembro de 2015, POR

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Igualdade entre os gêneros. Há tempos que eu não observava um assunto tão discutido nas redes sociais quanto esse, principalmente após o tema de redação do ENEM. Assim como qualquer assunto “polêmico” surgem informações falsas e distorcidas por pessoas de autoridade – aquelas capazes de influenciar um grande número de gente. Ainda é estranho ver que, em pleno século 21 repleto de tantas inovações tecnológicas, a sociedade opera diante um posicionamento mental tão primitivo e repulsivo, além de extremista. O papo agora é sério!

Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito. (Albert Einstein)

Quem é você?

Primeiramente, se você é uma das pessoas que reclamou do tema abordado na redação do ENEM, usou argumentos como “o ENEM é dos comunistas” ou ainda não foi capaz de interpretar o texto de Simone de Beauvoir concluindo por conta própria que lá estaria escrito “qualquer um pode ser mulher”, utilizando da apologia bíblica para seus argumentos… não estou aqui para lhe ensinar como ser uma pessoa coesa, mas apenas para te jugar como uma pessoa idiota.

Eu, por exemplo, sou uma pessoa totalmente religiosa e que acredita na igualdade de direitos e no bem-estar da sociedade como um todo, e ainda sou coeso o suficiente para desacreditar na Igreja e em qualquer forma política seja ela de esquerda ou de direita. Eu, como um ser humano, acredito que, no fundo, devemos respeitar o próximo, entender o próximo e viver juntos para que um ajude o outro a conquistar o impossível dentro de uma sociedade, lidando com as divergências como forma de crescimento pessoal e não agressão ao próximo.

Infelizmente, a sociedade não é assim e se torna praticamente impossível não se exaltar diante pessoas idiotas, extremistas e crentes em sua própria razão como absoluta. O que mais me surpreende é existir esse tipo de pessoa dentro da cultura nerd, uma cultura que devia ser cercada de pessoas sábias e inteligentes – afinal, o termo nerd não é à toa. Para meu grande espanto, nerds conseguem ser ainda piores do que as “pessoas normais”, o que é alarmante.

Bom, e se você é daquelas pessoas que adorou a polêmica só para poder compartilhar textos que disseminam seu preconceito através de termos como “feminazi” ou “vitimismo”, você é apenas mais um escroto dentro de uma sociedade que cada vez mais parece estar a beira do caos. Posso estar parecendo radicalista em minhas palavras, mas para pessoas extremas… medidas extremas. E aviso desde já que, se possui esse pensamento enraizado em sua mentalidade, esse texto não é para você – a não ser é claro que esteja disposto a atuar como uma pessoa coesa, se livrando da taxação de idiota e escroto.

A necessidade do feminismo

Segundo a ONU, 7 em cada 10 mulheres já foram ou serão violentadas em algum momento da vida. Fonte: Terra.

Antes de começar a expor sobre a presença e o papel da mulher dentro da cultura nerd e o quanto isso pode mudar a aceitação do gênero, é muito importante que eu utilize da minha – talvez insignificante – sabedoria para demonstrar o processo atual de aceitação da mulher dentro da sociedade. Ainda é um fato pertinente que, seja aqui no Brasil ou em qualquer outro lugar do mundo, a mulher sofra muito mais abuso verbal, físico e psicológico, dentro da sociedade do que o homem. Infelizmente costuma acontecer dessa forma pois, a imagem do “sexo frágil” construída pela sociedade, acaba banalizando a mulher como incapaz de estar na mesma posição que um homem.

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A sociedade ainda não reconhece as mulheres como iguais, e o ideal de inferioridade construído ao longo de tantos anos faz com que a violência e o preconceito seja mais comum do que se imagina.

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A sociedade ainda não reconhece as mulheres como iguais, e o ideal de inferioridade construído ao longo de tantos anos faz com que a violência e o preconceito sejam mais comuns do que se imagina.

A violência contra as mulheres é uma construção social, resultado da desigualdade de força nas relações de poder entre homens e mulheres. É criada nas relações sociais e reproduzida pela sociedade. (Nadine Gasman, porta-voz da ONU Mulheres no Brasil). Fonte: Terra.

Para atuar em combate ao quadro da violência, eis que surge: feminismo. Essa é uma das palavras mais recorrentes quando expomos a posição das mulheres dentro da sociedade, afinal esse movimento luta para reconfigurar a imagem do sexo frágil rumo ao sexo igualitário. Talvez, equivocadamente, uma série de pessoas, ou melhor dizendo “indivíduos desinformados através de informações distorcidas”, não sabem compreender do que afinal se trata o feminismo. Embora… parte desse desentendimento também seja culpa de algumas poucas mulheres que, equivocadamente, passam a tal “imagem deturpada do feminismo” atuando com base no “femismo enrustido”.

Veja bem, sou homem, mas sou uma pessoa sensata que reconhece a necessidade de equivalência de cada ser humano dentro de uma sociedade como forma de alcançar a prosperidade. Aliás, a sensatez é o princípio básico para uma sociedade rumo ao verdadeiro progresso. Certas pessoas ainda não entendem o princípio de igualdade. A igualdade não significa necessariamente “ter o que todo mundo tem e nada mais”, ninguém quer “tomar” de você o que você conquistou. Ao contrário, a igualdade busca as mesmas oportunidades e o mesmo reconhecimento por ações que podem ser realizadas por qualquer ser humano, independente da raça, sexo ou o que for. Ou seja, se posso conseguir um bom emprego, ter acesso a bons estudos e ter minha própria casa, você também pode. O problema é que o preconceito atua como barreira.

Quando essas oportunidades e o reconhecimento é afetado por qualquer tipo de manifestação de violência preconceituosa, seja ela física, verbal ou psicológica, é o momento em que se torna necessário criar alternativas para esses grupos que sofrem diante a maioria preconceituosa. Uma sociedade com desrespeito e má educação exige soluções em termos jurídicos e legais. Aqui é onde a lei precisa agir para que cada pessoa venha respeitar esses princípios. É por esse motivo que existem, por exemplo, as cotas para determinados grupos de pessoas, ou ainda, a Delegacia da Mulher e não do Homem. Se há uma parcela da população que não respeita tais grupos como iguais, então o poder legislativo e judiciário assume o papel de protetor para garantir o acesso facilitado as oportunidades que os preconceituosos e agressores impedem.

Sendo assim, pensando na igualdade e no grupo das mulheres, a principal ideia do movimento feminista é: promover as mesmas oportunidades e ter acesso aos mesmos reconhecimentos. Essa luta não quer que você homem seja descartado, assim como não tem interesse que você mulher assuma todo o papel e lugar do homem. Se este é o seu pensamento, então talvez falte um pouco mais de estudo e conhecimento sobre os conceitos básicos de comportamentos e movimentos existentes – que eu gentilmente cedo em uma imagem, super explicativa, logo abaixo.

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É extremamente comum que as pessoas confundam: feminismo com femismo. Algo que não deveria acontecer.

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É extremamente comum que as pessoas confundam: feminismo com femismo. Algo que não deveria acontecer.

A mulher feminista não precisa assumir o papel do homem, ela apenas anseia que ao assumir qualquer posição dentro da sociedade seja reconhecida como igual, e que a conquista à essa posição aconteça de forma que não existam barreiras ou facilidades por ela ser mulher. É simples assim! Porém a sociedade teima em recriminar qualquer tipo de movimento ou ideia que visa a igualdade, talvez por não conhecer o próprio conceito de igualdade, ou por ser de fato conversadora e preconceituosa demais para abrir os olhos diante cada membro da sociedade.

A mulher e a indústria do entretenimento

Coincidência ou não, no último mês – Outubro – a discussão sobre o papel das mulheres dentro da Cidade da Fama foi um tema recorrente entre os atores e as atrizes. Não apenas em Hollywood, mas no todo da indústria do entretenimento, a mulher é posicionada de forma equivocada dentro de qualquer produto. Com apenas poucas exceções, sendo a maioria das exceções localizadas em produtos muito específicos ao público feminino, as grandes produções evitam adotar mulheres como protagonistas fortes e independentes dentro das tramas e quando adotam utilizam de recursos de forma a amenizar o papel de cada uma delas.

Mas… a questão vai além da personagem que elas assumem, afinal não chega a ser o ponto crítico uma vez que atuação representa um personagem, o problema se encontra nos bastidores dessa indústria. As atrizes costumam ser reconhecidas como inferiores, independente da atuação, e acabam por ganhar menos do que os homens, por exemplo. Chegando ao absurdo dos cargos de direção serem considerados “de risco” para que o sexo feminino assuma tal posição, independente da experiência. Para ter uma ideia, apenas 7% dos 250 maiores filmes do último ano foram dirigidos por mulheres, e pouquíssimas protagonistas conseguiram ganhar um salário igual aos protagonistas homens e ter reconhecimento diante a indústria e o público.

São dados preocupantes. Independentemente de serem mulheres ou não, é notável um preconceito “subliminar” – aquele que existe, mas ninguém admite – na indústria justamente por serem mulheres. Para uma sociedade que julga o feminismo como desnecessário e vitimista, qualificando-o como uma espécie de movimento “feminazi”, o mínimo que não deveria acontecer é a existência da desigualdade entre os gêneros, mas existe e alguém precisa lutar contra isso! Para reforçar os dados, a própria Gwyneth Paltrow, que atuou como Pepper Potts ao lado de Robert Downey Jr. nos filmes do Homem de Ferro, citou:

Olha, ninguém aqui tem dúvida de que ele é um grande ator. Mas se eu te falar a nossa diferença de pagamento, vocês ficariam surpresos! Seu salário é uma forma de quantificar o seu valor […] Se os homens ganham mais por fazer a mesma coisa, você se sente péssima. Fonte: M de Mulher.

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Em outras entrevistas, Gwyneth Paltrow ainda ressaltou que tratar mulheres com inferioridade dentro de cargos profissionais não é uma exceção a ela, ou as atrizes em Hollywood.

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Em outras entrevistas, Gwyneth Paltrow ainda ressaltou que tratar mulheres com inferioridade dentro de cargos profissionais não é uma exceção a ela, ou as atrizes em Hollywood.

Mas o preconceito não é exclusivo aos estúdios, há um caso que mostra o comportamento do público. Como aconteceu com o filme Mad Max: Estrada da Fúria. Charlize Theron, que ganhou destaque com a personagem Furiosa, foi recriminada por certas pessoas por aparecer demais em um filme que se chama “Mad Max” e não “Mad Furiosa”, tais pessoas também afirmaram que o papel cedido a Charlize é indigerível por insistir que a mulher pode fazer o mesmo que os homens – pausa para refletir sobre as ideias absurdas do público, se dúvida veja clicando aqui. É evidente que os próprios espectadores ainda têm dificuldades em aceitar as protagonistas e a mídia contribui para tanto – principalmente nos Estados Unidos onde o preconceito rola solto.

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Mesmo com as críticas machistas, Charlize Theron fez um excelente papel com a incorporação de uma personagem interessante para a trama.

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Mesmo com as críticas machistas, Charlize Theron sobressaí. A atriz fez um excelente papel com a incorporação de uma personagem interessante para a trama.

Outro caso que chamou muita atenção foi o da Viúva Negra, interpretada por Scarlett Johasson nos filmes do Universo Cinematográfico da Marvel. A personagem que já é uma coadjuvante fortemente estabelecida, por ser do sexo feminino, acabou sendo excluída de grande parte do material de divulgação do filme. Além disso, o elenco acabou posicionando-a equivocadamente apenas como um símbolo sexual para o filme – obviamente eles se retrataram dias depois. A maior polêmica aconteceu quando a participação da personagem foi trocada por outros heróis quando os bonecos do filme foram lançados. Nem ao menos um produto respeitou a coadjuvante, causando uma receptividade negativa a postura da Disney.

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É muito comum que brinquedos reproduzam determinadas cenas. No filme, a Viúva Negra salta de um Quinjet rasante, montada em sua moto, para ajudar o Capitão América. E a reprodução da sequência, substituiu a personagem não apenas pelo Capitão América, mas por outros Vingadores em todas as versões do brinquedo.

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É muito comum que brinquedos reproduzam determinadas cenas. No filme, a Viúva Negra salta de um Quinjet rasante, montada em sua moto, para ajudar o Capitão América. E a reprodução da sequência, substituiu a personagem não apenas pelo Capitão América, mas por outros Vingadores em todas as versões do brinquedo.

Recentemente, nos Estados Unidos, ocorreram alguns problemas com a série da Supergirl. Por ser uma questão regional, esse caso ficou apenas por lá, mas é importante ressaltar. A mídia americana, talvez como forma de desprivilegiar a série que apresenta uma pegada feminista, fez questão de ocultar a estréia e nem ao menos apresentar reviews do episódio piloto, impedindo a criação do famoso HYPE gerado pela mídia que as séries precisam. Ainda sim, mesmo com todas as dificuldades Supergirl conseguiu superar todas as demais séries de super-heróis atingindo 12~14 milhões de espectadores – provavelmente por conta do gancho com The Big Bang Theory, mas ainda sim uma forma legítima de apresentar a série aos espectadores.

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Mesmo com a ocultação da série, a quantidade de espectadores foi excelente. Embora isso não exclua o fato de que a representação da personagem ainda não foi a representação que precisamos.

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Mesmo com a ocultação da série, a quantidade de espectadores foi excelente. Embora isso não exclua o fato de que a representação da personagem ainda não foi a representação que precisamos.

Como se já não bastasse tantos acontecimentos, na última semana, momentos antes do lançamento do trailer de Star Wars VII, um movimento foi iniciado no Twitter com a hashtag #BoycottStarWars. O objetivo? Boicotar o filme por este apresentar uma protagonista mulher, a Rey, e um protagonista negro, o Finn. O que levou a um grande desconforto na rede social, e também mostrou como há uma maioria preconceituosa nos Estados Unidos. Ambos protagonistas do filme já sabem a dificuldades que terão de enfrentar. Daisy Ridley, a protagonista Rey, ainda chegou ser aconselhada por Carrie Fisher sobre tais dificuldades. Ficando cada vez mais evidente a força do preconceito dentro da indústria do entretenimento.

A cultura nerd e a criação da mulher protagonista

Porém, em meio ao caos há sempre a esperança. Com a popularização dos filmes de super-heróis, a cultura nerd vem crescendo de vento em poupa e usar dessa visibilidade como tentativa transformar a aceitação da sociedade é uma ótima jogada. Até o presente momento, excluindo talvez Jogos Vorazes, não tivemos nos cinemas uma representação máxima da mulher como protagonista independente de qualquer outro coadjuvante. Mas vai acontecer em breve com os filmes da Mulher-Maravilha e da Capitã Marvel!

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A Mulher-Maravilha sempre foi um ícone feminino dos quadrinhos muito forte, e as chances de sobressair como uma referência feminista é muito forte, agregando valor ao movimento.

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A Mulher-Maravilha sempre foi um ícone feminino dos quadrinhos muito forte, e as chances de sobressair como uma referência feminista após é enorme, agregando valor ao movimento.

Vale ressaltar que o mundo nerd é muito MUITO extenso, existem dezenas e até mesmo centenas de produtos que não promovem a diferença entre os gêneros e respeitam a igualdade. Mas… a maioria desses produtos são considerados de nicho, ou seja, elaborados para um público muito específico – no caso, o público feminino. O valor de um produto para transformar a sociedade começa a ser significativo quando ele é capaz de atingir a todos, pois é planejado para todos os públicos sem priorizar ninguém especificamente. É esse tipo de produto que ressalto por aqui.

A Marvel, por exemplo, como forma de criar uma ponte para o cinema e conquistar a aceitação máxima do público feminino vem transformando alguns personagens dos quadrinhos em “versões femininas”, vulgo a nova Thor, e ainda vem evidenciando o papel de personagens já existentes como a Capitã Marvel. Embora essa adoção ainda esteja apenas nas páginas dos quadrinhos, é uma mudança significativa para começar a mostrar aos nerds que não há diferença entre super-heróis ou super-heroínas.

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A representação das mulheres como super-heroínas reconfigura toda a forma como a industria do entretenimento vem fazendo. Agora é muito mais fácil encontrar um simbolo forte para defender o sexo feminino e, inclusive, influenciar as gerações futuras a respeitar todos os gêneros.

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A representação das mulheres como super-heroínas reconfigura toda a forma como a industria do entretenimento vem fazendo. Agora é muito mais fácil encontrar um simbolo forte para defender o sexo feminino e, inclusive, influenciar as gerações futuras a respeitar todos os gêneros.

Já na TV e nos Cinemas, o movimento está prestes a ganhar cada vez mais força com algumas protagonistas, já citadas nesse artigo, que começam a nascer, como: Supergirl, Jessica Jones, Mulher-Maravilha, Arlequina, Capitã Marvel e Rey. Todas essas personagens representam mulheres com muito potencial para mostrar a força feminina ao grande público, e atingir, inclusive, as crianças que começam a perceber os gêneros feminino e masculino de outra forma.

Cabe agora a cada um dos produtores, roteiristas e diretores apresentarem essas mulheres de forma a mostrar que não há diferenças do papel entre elas e os homens. Assim como já está acontecendo nos quadrinhos, é preciso que não exista o preconceito subliminar nos produtos gerados. Isso não vai impedir que N tipos de personagens femininas sejam criadas, apenas vai garantir que as protagonistas não estejam sujeitas a inferioridade por serem mulheres. Adotar um posicionamento feminista nas personagens será arriscado, afinal existe grande parte do público que nada contra o movimento, mas é essencial para fazer a diferença e tudo isso começa com a cultura nerd!

A mulher nerd, geek ou gamer

Mulheres nerds são como eu e você, apaixonadas não só pela cultura pop, mas também pelo conhecimento – ainda sonho em encontrar uma nerd para a minha pessoa. O público feminino dos quadrinhos, das séries, dos filmes, dos livros e dos games, vem aumentando bastante nos últimos anos. 33% dos leitores nesse site são mulheres, e 48% dos “fãs” em minhas redes sociais também são mulheres. Assim dá para notar que a presença das mulheres na cultura pop é tão forte quanto a dos homens, e acredito que esse número tenda a se igualar cada vez mais.

Uma das coisas que mais reparei também, ao longo desses 8 meses de Super Nerd, é que as mulheres são muito mais dispostas a aceitar um ponto de vista, ou entender determinada opinião nerd, do que os homens. É um dado engraçado, pois isso significa que quando uma mulher se assume nerd, ela realmente adota uma postura nerd, enquanto os homens estão mais suscetíveis a se tornarem fanboys ou haters que pensam só no seu próprio umbigo e em suas próprias crenças – embora também existam mulheres assim.

Por estarem envolvidas no meio nerd, é mais do que natural e óbvio que as mulheres queiram adotar um comportamento conhecido na cultura pop: a arte de se fantasiar, ou o movimento cosplayers. É aqui que começam as dificuldades. Enquanto as mulheres querem apenas vivenciar os seus personagens, tal como os homens, elas acabam sendo as principais vítimas de abuso. Todos já sabem que as personagens femininas, principalmente de animes, são representadas visualmente como sex symbol e isso acaba influenciando na fantasia.

E alguns homens, também nerds, por sua vez, em sua escrotidão, acabam deixando de reconhecer a caracterização como uma paixão por determinada personagem e veem o cosplay como um “convite a abusos”, sejam abusos verbais ou físicos. Várias e várias mulheres, a todo ano em dezenas de eventos voltados para a cultura pop, sofrem com: passadas de mão, olhadas nojentas ou elogios machistas e escrotos. Por consequência muitas delas acabam desistindo da prática que tanto amam, e sua inclusão na cultura nerd começa a se tornar um peso. Os relatos são inúmeros, digo isso pois já constatei relato de várias mulheres acerca do ocorrido.

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A imagem pode parecer engraçadas para algum, mas é um caso muito sério e muitas mulheres se sentem incomodadas com tais atitudes dos homens. Vale ressaltar que argumentos como "elas não deveriam se vestir assim", não justificam a forma como certos homens atuam em eventos de encontro com cosplayers.

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A imagem pode parecer engraçadas para alguns, mas é um caso muito sério e muitas mulheres se sentem incomodadas com tais atitudes dos homens. Vale ressaltar que argumentos como “elas não deveriam se vestir assim”, não justificam a forma como certos homens atuam em eventos de encontro com cosplayers. Eles acabam deixando de ver as mulheres como apreciadoras da cultura pop, para vê-las como objetos sexuais para suas fantasias nerds perturbadas.

Talvez sem querer, a imagem da mulher nerd, gamer ou geek, dentro da cultura nerd ainda é promovida por várias páginas no Facebook como uma fuga da rotina de um nerd. Por exemplo… é muito comum encontrar imagem onde uma mulher está jogando videogame, mas demonstrada apenas de calcinha e sutiã, ou ainda, em posições sensuais como sonho de todo nerd – já o meu sonho é apenas jogar junto com ela. Eles deixam de reconhecer a mulher como adepta ao videogame, como uma mulher que usa o videogame para sensualizar aos nerds.

Veja bem, não estou qualificando a imagem que a mulher está sendo transmitida como radicalista. Existem alguns casos, que até as próprias mulheres brincam com certas situações promovidas por páginas do Facebook, por exemplo. Mas, existem outros em elas estão sendo vistas com um olhar diferente, muitas das vezes sexual, dentro da cultura nerd, desmerecendo a possibilidade de ela ser apenas uma nerd vivenciando suas paixões, tal como os homens fazem. O fato é que qualificam o ideal da “mulher como objeto” como forma de “vitimismo”, mas a verdade é que em certas mensagens a mulher é vista apenas como prestativa quando atua como um objeto sexual, e isso acontece MUITO dentro da cultura nerd e isto está errado, precisando ser combatido – este é, aliás, um assunto bem complicado e extenso.

Enfim…

A ideia desse artigo foi mostrar a todos a importância do movimento feminista e também a parcela do papel da cultura nerd em transformar a visão da sociedade, aproveitando esse HYPE que está sendo criado nos cinemas com o grande público. É muito importante que, acima de qualquer coisa, exista respeito a qualquer pessoa, independente da raça, do sexo e do que mais você julgar como uma segmentação preconceituosa. Existem vários e vários casos de preconceitos que não dizem respeito apenas as mulheres, mas optei por dar meu parecer sobre o assunto devido as últimas repercussões. Eu como homem entendo a importância da igualdade entre os gêneros, e espero que você como homem, ou mulher, também compreenda essa importância, afinal o objetivo não é inferiorizar ou superiorizar ninguém e sim apenas olhar todos como iguais.

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