PUBLICIDADE
Opiniões

Cinemas e o excesso de sessões dubladas

24 de agosto de 2015, POR

O Super Nerd » Opiniões » Cinemas e o excesso de sessões dubladas

PUBLICIDADE

Anos atrás grande parte dos filmes chegavam apenas em sua versão legendada, atualmente grande parte das sessões nos cinemas brasileiros estão voltadas para o mercado dublado. O que está acontecendo? Será que o perfil do público brasileiro mudou ou foram os cinemas que mudaram? Veja uma discussão sobre o tema!

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

A experiência de ir ao cinema se torna uma dor de cabeça por falta de opções e desencontro de horários entre sessões dubladas e legendadas.

® Relate qualquer abuso de Uso Indevido de Imagem clicando aqui.

A experiência de ir ao cinema se torna uma dor de cabeça por falta de opções e desencontro de horários entre sessões dubladas e legendadas.

Posso estar exagerando nos fatos que irei apontar mas, como um frequentador assíduo de cinema desde 2008, tenho dados de observações interessantes que podem indicar a mudança do cenário brasileiro em relação a frequentabilidade do público aos cinemas.

Nas estreias em que estive presente no período entre 2008 até 2011, a sessão mais repleta de espectadores – pelo menos por aqui na cidade onde vivo – foi do filme Avatar – alias, convenhamos, em todo planeta. Todos almejavam ver as “inovações” elaboradas por James Cameron, com um novo 3D em ação e uma alta tecnologia aplicada na captura de movimentos – não é verdade!?

Fora isso por aqui alguns grandes títulos até conseguiam levar um público considerável aos cinemas – como, por exemplo, as sagas – mas os grandes lançamentos naquele período não eram tão absurdamente constantes como no mercado atual.

Enquanto alguns anos atrás 25% representavam os lançamentos mais esperados do ano, hoje esse número subiu para 40% ou mais. E arrisco em dizer que este aumento do “HYPE dos Lançamentos” começou a brotar naturalmente a partir do ano de 2012, principalmente com o primeiro Vingadores. Foi, alias, onde tudo se transformou.

A observação indica que o “BOOM” desses filmes – como Avatar e Vingadores – conseguiu apresentar a experiência do cinema a “novos” espectadores. Afinal, desde que as redes sociais chegaram ao ápice em 2012 tudo que está no HYPE “precisa” ser venerado – processo também conhecido como “modinha”. 

Conhecendo a experiência proporcionada pelo cinema, é provável que grande parte do novo público continuou marcando presença em novas sessões, aumentando consideravelmente os frequentadores do ambiente – acreditem se quiser mas depois do primeiro Vingadores, nunca mais cheguei a ver o cinema completamente vazio. Talvez, você também tenha reparado esse mesmo processo em sua cidade.

A pesquisa de 2012

O ano que tudo mudou e que também era para ser o fim de tudo, vulgo 21 de dezembro. Uma pesquisa realizada na época pelo DataFolha visou entender os hábitos e as preferências dos espectadores. A pesquisa já havia sido realizada no ano de 2008, com a mesma proposta, perguntas e intenções. Sendo realizada de quatro em quatro anos, uma nova amostra será coletada no próximo ano, em 2016.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Preferência entre Dublado ou Legendado em 2008/2012 em pesquisa realizada pelo Datafolha.

® Relate qualquer abuso de Uso Indevido de Imagem clicando aqui.

Preferência entre Dublado ou Legendado em 2008/2012 em pesquisa realizada pelo Datafolha.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Frequência de Ida aos Cinemas em 2008/2012 em pesquisa realizada pelo Datafolha.

® Relate qualquer abuso de Uso Indevido de Imagem clicando aqui.

Frequência de Ida aos Cinemas em 2008/2012 em pesquisa realizada pelo Datafolha.

Você pode notar nos gráficos acima que a preferência por versões dubladas predomina na maioria das categorias, exceto em versões blu-ray. Sendo assim, é inegável o fato que o público tem aquela apetitosa paixão por tais cópias dubladas, pelo menos na época da coleta de dados.

Os dados ainda, nitidamente, demonstram que o “grande público” prefere filmes dublados na TV Aberta, e mesmo em DVD, onde há opção para mudança de áudio, o português domina. E aí fica a grande pergunta: por que a mídia Blu-Ray se difere tanto da mídia DVD na preferência de idioma?

A resposta é simples! É bem provável que o público do blu-ray seja o mesmo público que já vinha acompanhando o cinema antes dos grandes HYPES. Posso justificar tal afirmação apontando que na época, em 2012, o blu-ray era uma necessidade apenas para aqueles que realmente eram engajados com a sétima arte.

Transformação do público brasileiro

Não é preciso raciocinar bastante para entender que, em quatro anos, o público brasileiro caiu para o lado das cópias dubladas. Convenhamos que as mudanças não foram tão transformadoras assim, acredito que esteja mais para um processo de mudança natural do que de fato transformação.

Ainda sim, nem sempre as pesquisas refletem a verdadeira realidade do cenário no todo. O que é uma simples amostragem em um cenário com milhões de brasileiros? Bem, é o suficiente para mostrar a direção à qual a sociedade caminha. Um resultado exato somente cada cinema, com seus relatórios de venda por sessões dubladas e legendadas, poderiam apresentar.

Sede por bilheteria

De 2012 para cá muita coisa aconteceu. O Calendário Maia acabou, o Facebook dominou o território nacional, o Whatsapp ganhou força, foram criados centenas de memes e “modinhas”, entraram em cartaz centenas de novos filmes e por ai vai. O mundo online também cresceu absurdamente nos últimos três anos – e olha que nem se passou tanto tempo assim.

Com o crescimento vem a evolução. A pirataria foi um setor ilegal que evoluiu também, novos formatados de arquivos sendo utilizados, novas técnicas para baixar a altíssimas velocidades, imagens com qualidades a nível de um blu-ray compactadas. Evolução que prejudica constantemente a indústria cinematográfica.

Uma ameaça tão forte e constante é um risco que pode custar a vida dos estúdios, e isso acaba refletindo nas tendências e ações do mercado. A pirataria é um processo complicado de se controlar, os estúdios e as distribuidoras precisam adotar novas estratégias para tentar ganhar o máximo com um filme logo nas primeiras semanas de lançamento.

Nessas ações, o cinema precisa sair ganhando também. Afinal ele é a única porta disponível para assistir um filme durante seu lançamento e período em cartaz. Assim, é natural que uma empresa atue como um tubarão sedento por cardumes apetitosos e numerosos. Lucro é necessário e é preciso tirar o máximo possível do público com o mínimo de riscos.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

"Andou na prancha, cuidado o tubarão vai te pegar", a imagem com a Rihanna representa o que a indústria precisa está prestes a fazer com o consumidor.

® Relate qualquer abuso de Uso Indevido de Imagem clicando aqui.

“Andou na prancha, cuidado o tubarão vai te pegar”, a imagem com a Rihanna representa o que a indústria precisa está prestes a fazer com o consumidor.

Vou contar uma coisa a vocês: na visão das empresas sedentas por resultados, 51% dá mais lucro do que 49%. Ao oferecer produtos ou serviços limitados aos 51% uma empresa garante a aprovação da “maioria” e ainda não deixa de perder com os 49% obrigando-os a escolherem entre as condições impostas – não é uma prática recomendada alias, se tem uma empresa NÃO FAÇA ISSO!

Com a confirmação de preferência do público brasileiro, de acordo com essa regra quem vence é a maioria, não é mesmo? Sendo assim, os cinemas estão investindo pesado em contemplar a maior partes das sessões para cópias dubladas pelo simples motivo do “grande público” indicar que preferem as sessões dubladas – seria o caso de coletar dados com um cinema sobre quais as sessões que garantem maior lucro, mas não creio que divulgariam tal informação mesmo que anonimamente.

É uma jogada traiçoeira, não há um equilíbrio natural como nas porcentagens apresentadas pela pesquisa. Há um estabelecimento de “85 pra 10 pra 5”, significa que: 85% das sessões estão dedicadas para as cópias dubladas; 10% da sessões estão dedicadas para as cópias em 3D e, por vezes, legendadas; E apenas 5% para cópias em 2D e legendadas. 

O aumento no número de grandes lançamentos e do HYPE no todo influenciam essas escolhas entre as sessões que serão disponibilizadas. O resultado é simples: a maioria se sente satisfeita e o restante é “obrigado” a se sujeitar as sessões impostas pelos cinemas.

E nesse caso, não estou de nenhum lado – como já expus no artigo sobre Dublado vs. Legendado – mas limitar as escolhas do público é uma atitude incompreensível e ninguém nunca deixa claro sobre o que está acontecendo.

Por que tantas cópias dubladas? – Dinheiro, cof cof – Por que tantas cópias em 3D desnecessário? – Mais dinheiro, cof cof – Por que poucas cópias legendadas? – As dubladas lotaram os horários, cof cof – Por que cópias em 3D legendadas? – essa realmente não sei.

Como fica o outro lado do público?

Já deu para notar que é uma adoção completamente sufocante a todos nós consumidores, além de ser desigual. Ao que parece as sessões legendadas se transformaram em “cotas obrigatórias”. Onde a “minoria” não tem vez. Mas a culpa é de quem? Do cinema, das distribuidoras ou do próprio público? Bem, é uma dívida parcelada.

O HYPE leva o público a perder parte da sua personalidade como consumidores, o público esquece sua importância e deixa de ter uma voz ativa para se manifestar, os cinemas não analisam a aceitação do público ao que é apresentado e as distribuidoras realizam exigências para transmissão de seus filmes.

Algo tão fácil de se resolver simplesmente anda se resumindo a uma desorganização completa e uma criação subliminar de cotas. Os tempos são complicados. As sessões legendadas cada vez mais escassas e em horários inconvenientes ou, pior ainda, em 3D. Fica a dúvida: por que não “55 para 40 para 5” – 55% das sessões dubladas, 40% das sessões legendadas e 5% para as sessões em 3D? E também fica a pergunta: por que você ainda não se manifestou com seu cinema favorito? Deixo aqui uma reflexão.

A estrutura do site, bem como os textos, os gráficos, as imagens, as fotografias, os sons, os vídeos e as demais aplicações informáticas que os compõem são de propriedade do "O Super Nerd" e são protegidas pela legislação brasileira e internacional referente à propriedade intelectual. Qualquer representação, reprodução, adaptação ou exploração parcial ou total dos conteúdos, marcas e serviços propostos pelo site, por qualquer meio que seja, sem autorização prévia, expressa, disponibilizada e escrita do site, é vedada, podendo-se recorrer às medidas cíveis e penais cabíveis. Leia aqui os Termos de Uso e Responsabilidade.

TAGS
cinemas
O Super Nerd

O Super Nerd

Completamente apaixonado e envolvido pelo mundo do entretenimento, da tecnologia e do conhecimento. This is a job for... Super Nerd!

PUBLICIDADE

comentários mais nerds do planeta

O Super Nerd disponibiliza este espaço para comentários e discussões dos temas apresentados no site, não se responsabilizando por opiniões, comentários e mensagens dos usuários sejam elas de qualquer natureza. Por favor respeite e siga nossas regras para participar. Compartilhe sua opinião de forma honesta, responsável e educada. Respeite a opinião dos demais. E, por favor, nos auxilie na moderação ao denunciar conteúdo ofensivo e que deveria ser removido por violar estas normas. Leia aqui os Termos de Uso e Responsabilidade.

PRÓXIMO ARTIGO

artigos relacionados

Send this to a friend