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Cinema

Grandes Olhos, Crítica

11 de maio de 2015, POR

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Grandes Olhos estreou no dia 29 de janeiro de 2015, teve um orçamento de 10 milhões de dólares e rendeu 28 milhões de dólares ao redor do mundo. Com uma história majestosa em mãos, Grandes Olhos decepciona por não saber desenvolver os personagens e trabalhar suas particularidades.

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Grandes Olhos

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Grandes Olhos, 2014

Tudo que é demais cansa, principalmente quando nada muda. Houve o tempo em que Tim Burton surpreendia a todos com suas fantasias arriscadas e sutilmente tenebrosas, porém, cativantes. Mas, depois de algum tempo sem grandes sucessos, Burton está de volta com Grandes Olhos, novamente, sem sucesso.

Sendo ou não um fã de Burton, é incrível como existem certas dificuldades em associar o filme ao nome. Grandes Olhos é um drama americano simplório, baseado em fatos reais e que não apresenta nada que um filme de Burton costumaria ter. Não era uma história feita para ele.

O enredo narra a história real da pintora Margaret Ulbrich – interpretada por Amy Adams – uma simples pintora insegura e mãe solteira. Em meio as suas dificuldades, certa vez ela conhece um homem carismático, também “pintor”, Walter Keane – interpretado por Christoph Waltz.

Eles se casam. Margaret cria brilhantes obras de crianças com olhos grandes e, por vezes, assustadores. Por “acidente” e, ainda, por inveja, Walter acaba tomando posse da autoria dos quadros de Margaret publicamente.

As pinturas se tornam uma explosão comercial e, literalmente, começam a vender que nem aguá. Nesse ponto, o filme é excelente em mostrar como o marketing foi essencial para o sucesso dos quadros de Margaret, e nesse ponto sem Walter ela não teria nada. Em meio a isso, ela é obrigada a lidar com esse segredo e não revelar que é a verdadeira autora dos quadros.

Mas então, dez anos se passam até que Margaret decide processar Walter para retomar o direito de autoria dos seus próprios quadros. Por que tanto tempo depois? É um mistério do qual Grandes Olhos não faz um excelente trabalho em explorar.

A história é interessante, intrigante e fascinante. Teria várias vertentes a serem exploradas, uma mulher frágil e oprimida pela sociedade que sofre constantes pressões psicológicas do marido. E um homem aproveitador que abusa e explora agressivamente o talento de sua esposa.

Porém nada disso fica muito claro no filme. É praticamente impossível compreender cada um dos personagens apresentados que ficam oscilando em suas personalidades mal trabalhadas e superficialmente expostas.

Grandes Olhos não era um filme complicado de ser feito, mas se tornou complicado da forma que foi feito, deixando assim várias dúvidas ao longo do caminho e, por vezes, deixando de lado a vital e necessária exploração dos personagens diante uma brilhante história.

Tudo é apresentado de forma linear, sem nenhuma mudança de caminho repentina. Ainda, o que é apresentado chega a ser reforçado até pelo menos duas vezes. Em resumo, tudo acontece de forma rápida e agressiva que resultada em um simplificado resumo de: eles se conhecem, se gostam, casam, ela pinta, ele assume autoria, ela aceita, eles ficam milionários, ela cobra seus direitos.

Simples demais não? Se ela sempre teve tudo, e ficou milionária junto com o Walter, o que deu errado? Burton não consegue esclarecer em sua direção, pois não há profundidade nem em Margaret e muito menos em Walter, eles são o que são, simplesmente assim. Dessa forma, acaba indo da interpretação de cada um com os poucos elementos que são apresentados.

Falta cenas que explorem um pouco mais cada um deles e criem justificativas suficientes para suas atitudes ou, principalmente, à transformação de Walter em vilão. Parece que Burton estava indeciso em seu ponto de vista, e decide de última hora quem está certo ou está errado. Desde o principio sabíamos quem era o errado. Sempre foi o Walter.

Tanto Amy Adams quanto Christoph Waltz são excelentes atores, entretanto, não se desafiam em suas atuações e simplesmente vemos, em ambos, mais do mesmo de sempre. Amy em seus papeis delicados em lugar de vítima, e Waltz em seus papeis de vilão charmoso. Não há nada de novo ou inesperado. A zona de conforto é uma constante que incomoda.

Talvez não seja culpa do elenco, mas sim do roteiro e a forma como Tim Burton apresenta os personagens. Burton arrisca muito pouco em explorar os personagens isoladamente, e tenta apresentar uma relação que não fica muito clara, justamente, por conta disso.

Grandes Olhos tem seus bons momentos. A cena em que Margaret, angustiada, vislumbra grandes olhos nas pessoas em seu redor é excelente e é a cara de Burton, ou ainda a cena final no tribunal que ganha destaque por ser completamente cômica. Entretanto, mesmo depois de uma boa história, o público não sabe realmente nada sobre Margaret e nem sobre Walter.

Burton não sobre aproveitar o excelente enredo que tinha para contar, se arriscou errado e demonstra que teve um um processo nada inspirativo na criação deste filme. Grandes Olhos vale mais a pena por sua história do que pelos personagens que a compõem. Temos assim, a história magnifica para o diretor errado.

 

Grandes Olhos, Crítica
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