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Cinema

Esquadrão Suicida: Opinática, uma critica reflexiva

6 de agosto de 2016, POR

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Esquadrão Suicida conquistou no marketing, seus trailers sempre chamando atenção com músicas perfeitamente sincronizadas conversando bem com todo fluxo de imagem. Depois de Batman vs Superman: A Origem da Justiça, Esquadrão Suicida por sua vez decidiu adotar uma outra identidade, criando a imagem perfeita de quadrinhos lançada nos materiais promocionais. Acompanhe agora a crítica – honesta – do filme!

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Uma equipe de super vilões precisa encarar uma missão suicida em busca de sua própria liberdade, então lhes é dada uma escolha: morrer ou morrer, sem negociações.

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Uma equipe de super vilões precisa encarar uma missão suicida em busca de sua própria liberdade, então lhes é dada uma escolha: morrer ou morrer, sem negociações.

Ao contrário do que era especulado, Esquadrão Suicida se passa um tempo depois dos acontecimentos de Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Embora o contexto social não seja trabalhado no filme, fica explícito em diálogos que estamos diante um mundo abalado pela morte do Superman e preocupado com as atrocidades que andam acontecendo. Veja bem, os heróis não existem e não são claros para a sociedade. Os únicos em evidência são o Batman e o Superman, com o Superman fora de cena é como se o mundo não fosse mais capaz de enfrentar grandes ameaças. Eis a solução apresentada por Amanda Waller, interpretada por Viola Davis, ter uma carta na manga com uma equipe de vilões para enfrentar qualquer ameaça.

O longa-metragem começa da forma mais esperada possível, apresentando todos os membros da tropa e aqui registra uma identidade, exatamente aquela que se alinha ao marketing, em tons coloridos, animados e bem cartunescos. Durante os flashbacks, uma música tema nasce para cada integrante e breves lembranças surgem para posicionar o espectador a conhecê-los. Eis a primeira meia hora, bons minutos em que o filme dá vida aos quadrinhos, como se as páginas estivessem saltando da tela, o que deveria ser de amolecer o coração de qualquer amante de quadrinhos, mesmo que parcialmente.

Depois da introdução é quando o longa começa a dar suas derrapadas, mas apenas sutis derrapadas. Toda identidade construída antes parece não existir mais. O espectador fica sem saber o que acontece e dali em diante, é como se estivéssemos de frente a uma outra edição, uma outra equipe de produção e um outro objetivo, o objetivo é a missão. Não sei o quanto pode funcionar para muitos, mas se tratando de um filme onde tropas partem para o “suicídio” era de se esperar que o mesmo focasse no que importa, volto a repetir: a missão. Dessa forma, não chega a ser um defeito o filme se concentrar em uma única grande batalha. E assim foi feito, porém se esquecendo do que tinha feito e como poderia ter utilizado todas aquelas cores e vibrações do começo. Nas uma hora e meia restantes de filme, alguns personagens convencem e outros nem tanto.

Pistoleiro, interpretado por Will Smith, com certeza se posiciona como o melhor membro da equipe e consegue expressar tudo aquilo que, ao menos, eu esperava para o personagem. Ele convence como líder da equipe, ele convence como vilão, ele convence em suas motivações e, principalmente, convence ao se mostrar como o mais preocupado com a missão e o que estão prestes enfrentar. Parece que houve uma preocupação especial com o personagem, seu desenvolvimento e relacionamento com sua filha. Na outra ponta Margot Robbie, interpretando a Arlequina, torna-se praticamente um xérox da personagem original, além de convencer com toda sua loucura, ela sabe o momento em que sua personagem deve brilhar tal como garante as melhores cenas do filme chegando ao ponto que nem precisamos entender ou conhecer completamente a Arlequina, ela por si só já é suficiente.

Em meio aos dois ainda há destaques. Desculpe aos céticos… mas um personagem tão desinteressante nos quadrinhos quanto o Capitão Bumerangue só podia mesmo ter funcionado com Jai Courtney. Embora não seja o foco do filme, nos momentos em que o Capitão Bumerangue aparece em cena é o retrato idêntico do que se espera de um ladrão canastrão e oportunista. El Diablo, interpretado por Jay Hernandez, entrega uma boa dose de drama para o filme, embora em alguns momentos parece ser incapaz de transmitir um ar de mistério e o olhar de uma pessoa tão cheia de traumas. Crocodilo, interpretado por Adewale Akinnuoye-Agbaje e nem me peça para pronunciar esse nome, é aquele que “nem cheira nem fede”, mas consegue passar a mensagem necessária: ele só quer seu cantinho no esgoto.

Fora do núcleo dos vilões: Katana, interpretada por Karen Fukuhara, torna-se uma personagem mal utilizada na trama, onde nos trailers havia a sensação que muito mais da personagem poderia aparecer do que realmente apareceu; Joel Kinnaman, interpretando Rick Flag, convence como soldado, se tornando o par perfeito para lidar de frente com o Pistoleiro. Viola Davis é simplesmente a mulher mais sensacional em se posicionar no status da “chefona” e todas as suas aparições fazem você mal esperar pelo que ela é capaz de fazer. Cara Delevingne, interpretando Magia, se entrega bem para o papel, porém a sua personagem parece ter motivações elaboradas “nas coxas”, talvez a falta de criatividade tenha atingido em cheio Magia, a falta de desenvolvimento e preocupação com a personagem realmente estraga a grande vilã do filme.

Não poderia também deixar de trazer um olhar sobre Jared Leto e seu novo Coringa que, embora seja difícil julgar por seu pouco tempo em cena, convence em alguns momentos e em outros não. O personagem parecia ser o grande vilão, como era apresentado no marketing, mas foi desmerecido, talvez pela edição e uma quantidade excessiva de cortes. Nesse instante, percebe-se que, sem tantas ameaças e uma participação descuidada, o foco voltou-se todo o visual e gestual que acabaram influindo diretamente na receptividade do personagem, prejudicando em cheio a atuação e o potencial de Leto de certa forma. Você vê e não vê o Coringa ao mesmo tempo e piora quando a montagem não favorece.

Nunca seremos capazes de saber o que David Ayer estava planejando para o seu filme original, mas é evidente que o filme tentou em vários momentos ser o que não era de fato. Hora parecia que tinha alguém no comando da produção, hora parecia que não. Talvez Ayer não se arriscou o suficiente ao construir a ameaça para o filme, talvez não tenha sido criativo o suficiente para enlaçar mais os personagem. Porém ainda sim, embora existam os tropeços, eu lamento se vou decepcionar alguns, irritar outros, mas Esquadrão Suicida, para mim e colocando em jogo minha experiência de analisar filmes, acerta em muitos momentos, afinal mesmo com as confusões de edição os personagens cativam, te fazem querer ver até o final e até mais se possível. Fico confortável com a situação de que vilões precisam deter uma enorme ameaça, quando realmente nem o mundo sabe que existe heróis além do Batman.

Uma sensação constante durante todo o longa é como se ali existe um filme ainda melhor do que foi, se bem editado. Encerro dizendo que toda a trilha sonora do filme tal como a sua execução, funcionou noventa porcento das vezes. Embora talvez para uma pessoa como eu, amante de músicas, funcione mais do que para uma pessoa que sequer consegue assistir a clipes de música. Engraçado que sinto um peso de culpa por ter gostado tanto do filme e já esteja considerando que não nasci para criticar filmes ou ser um bom crítico. Desculpem-me pelo exagero, mas Esquadrão Suicida consegue ser um dos melhores filmes do ano, não chega nem perto de ser uma decepção da a DC, empolgando mais do que alguns já lançados e até envolvendo mais do que Batman vs Superman. Para o espectador é possível se apaixonar pela interação mostradas entre os vilões.

Ao final da sessão apenas uma dúvida pairava sobre minha cabeça: o que tanto esperavam desse filme que muitos se disseram decepcionados? Acho que está na hora de enxergar mais os filmes como eles são, não como queremos que eles sejam.

Esquadrão Suicida, Crítica
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