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Séries e TV

O que aconteceu com Game of Thrones?

24 de agosto de 2017, POR

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A sétima temporada de Game of Thrones já estreou e, após seis episódios, começam todas as controvérsias sobre tudo que foi produzido para esse ano de 2017. Por um lado, há quem acredite que Game of Thrones corrompeu completamente os princípios de cada personagem. Por outro lado, há quem acredite que todos esses acontecimentos já faziam parte do universo de George R. R. Martin o tempo todo. O grande fato é que a sétima temporada estreou bem diferente do que estávamos acostumados, mas seria isso parte do plano ou não? Esse artigo não apresenta spoilers.

Quando o primeiro episódio dessa temporada foi ao ar, em 16 de julho, pairava sobre o ar algumas poucas diferenças em relação aos demais episódios da série. O primeiro problema foi o impacto da chegada de Daenerys Targeryen em Westeros. Em uma breve recapitulação, o ápice da personagem foi na sexta temporada. Ela sempre foi, talvez, uma das únicas em que em todas as suas aparições garantia algum momento épico imensurável. De certo modo, a sexta temporada contribuiu para que ela fosse vista como uma rainha overpower. Convenhamos, Daenerys tinha tudo a seu favor: três dragões, uma tropa de navios, imaculados, dothrakis, inúmeros aliados incluindo personagens bem importantes e imponentes.

Era um fato. A Rainha dos Sete Reinos tinha absolutamente tudo que era preciso para chegar e destruir Westeros como bem entendesse. Eis o momento em que a sétima temporada se inicia e parece que toda a construção da personagem, tal como sua força, é esquecida. Sim, talvez “esquecida” soe como uma palavra forte. Mas, em poucas cenas, ela foi reduzida a inúmeros fracassos, uma série de decisões erradas e uma impulsividade que estava lá para, invisivelmente forçada pelo roteiro, limitar todo o seu poder. É bem curioso que a personagem tenha caído em uma espécie de abismo que abstraí tudo que ela tinha para destruir – sabe quando o personagem extrapolou os limites de poder e poderia resolver tudo bem fácil, mas o roteiro não quer fazer isso? A única vez que a demonstração de poder aconteceu, por exemplo, foi no Episódio 4 – The Spoils of War – que atuou mais como um fanservice do que algo realmente importante para a trama.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Daenerys Targaryen

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A frustração de ver Daenerys se transformar em outra personagem, talvez nos cega para o fato que era para ser assim.

Esse choque de realidade e quebra de personalidade não é uma exclusividade da Daenerys. Nessa temporada parece que a magia do “emburrecimento” e “desapoderamento” paira sobre Westeros. Ao longo dos episódios já lançados é inevitável notar que vários personagens projetados em uma tendência de crescimento atingindo ao ápice na sexta temporada, simplesmente decaíram e apagaram completamente em suas essências. Várias reações não condizem com o que havia sido criado, como é o exemplo constante de Arya Stark.

Por falar nos Starks, lembramos dos encontros. Encontros sempre foram um grande marco da série e toda vez que eles aconteciam levavam os fãs a loucura. Mesmo em sutilezas, eles conseguiam ser épicos. Dessa vez, algo mudou. Todos os encontros, até os mais esperados ao longo de várias temporadas, foram apenas: okay. E peço uma licença para destacar uma opinião pessoal importante, uma vez que sou muito fã da série: foi difícil ter ânimo espontâneo para terminar de assistir cada um dos episódios dessa temporada. As vezes parece se situar como uma temporada fora da realidade – ao menos, parecem ter esquecido das 6 temporadas passadas quanto a essência.

Veja bem, não podemos criar certas ilusões. Era óbvio e claro que Game of Thrones estava caminhando para o fim mais fantasioso, principalmente pela luta contra o Rei da Noite e os Vagantes Brancos. Isso foi estabelecido desde o primeiro episódio. Cedo ou tarde eles seriam a total prioridade da trama. Mas, esse fato não necessariamente justifica as escolhas erradas desenfreadas que a série vem tomando. Soa como se eles fossem incapazes de utilizar a essência da sexta temporada, porque tiveram que mudar completamente o foco da série sem resolver o que veio antes. A Daenerys, por exemplo, estava com um objetivo muito claro desde a sua primeira aparição. A força e a forma como ela muda seus interesse de um jeito tão fácil e tão desleixado não se justifica.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Rei da Noite e os Vagantes Brancos

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A mudança drástica de protagonismo para a trama dos Vagantes Brancos fez parecer que os roteiristas não souberam como fazer a transição em 7 episódios.

É importante ressaltar que o problema em si não é o caminho para onde a série, obrigatoriamente, tem que ir. O problema está no roteiro. Ele é o culpado e somente ele. O uso constante de Deus Ex-Machina – recurso para ser salvo do nada, em linhas gerais – e a falta de desenvolvimento dos personagens doem no coração de qualquer fã da série. Game of Thrones sempre foi um sucesso não apenas por suas reviravoltas, mas por ter um universo muito vivo no geral. Então, o que optam por fazer? Cortar três episódios da temporada e todo desenvolvimento de personagens fica em segundo plano.

Tem vários exemplos – e esse paragrafo tem alguns spoilers. A Cersei está totalmente nublada. Toda trama dos Greyjoys foi simplesmente jogada por lá e esquecida como se não tivesse que dar satisfações sobre a história. A Ellaria Sand que teve seu fim subjetivo. Ou a Olenna Tyrell que foi “derrotada” ainda mais fácil que a Daenerys. Nada parece estar levando a algum lugar. Talvez seja cedo para dizer, mas o último episódio está logo aí e ficamos por aqui com várias histórias cortadas ao meio, várias interações e personagens desperdiçados. Tudo fica perdido. Tudo fica sem tempo. Nesse caos, pouquíssimos eventos conseguem se destacar. Sério. Estamos no penúltimo episódio dessa temporada e conseguimos contar nos dedos de apenas uma das mãos os eventos relevantes dessa temporada e todos eles foram forçados pelo roteiro a não ir além de limites bem claros.

Existem várias situações – e esse paragrafo tem alguns spoilers também – em que as coisas poderiam ser diferentes, ainda sim chegariam ao mesmo fim: a grande guerra além da Muralha. Mas o roteiro esqueceu de se preocupar por isso. Decidiu que era mais fácil nublar os personagens ou invés de trabalhar tramas simultâneas, mantendo o universo vivo. As poucas tramas simultâneas que criaram, como o que acontece entre Sansa e Arya, só estão lá para mostrar os personagens e fim. Eu aceitaria muito mais a ideia de que Jon Snow, por exemplo, percebeu sua conexão com os dragões e decidiu pegar um emprestado para atravessar a Muralha, causando problemas que só o Jon poderia causar. Nem estou levando em consideração o fato de rolar um lance entre Daenerys e Jon, não é um problema isso acontecer. O erro está no desenvolvimento que precisou destoar a personagem para que acontecesse – em que planeta Daenerys esqueceria tão fácil o que aconteceu com seu dragão, mas choraria por um homem? Isso precisaria ser melhor construído pelo roteiro.

Mesmo que Game of Thrones estivesse planejada para esse fim. Mesmo que a ameaça além da Muralha seja real. O roteiro da série falhou em entregar isso ao espectador. Desde o princípio a série sempre tratou de uma guerra pelo trono e uma grande guerra que estaria por vir. É bem provável que o maior erro não esteja nessa temporada, mas em todas as demais que optaram por ficar um pouco mais distante de realidades fantasiosas. Foco na guerra, algo mais palpável, pinceladas na fantasia. Agora a história é outra. A fantasia precisa se tornar a protagonista. Fica difícil com um terreno não tão bem preparado para isso. Foco na fantasia, pinceladas na guerra. Talvez entregar mais fantasia do que as tensões da guerra já não é tão suficiente para o espectador tão acostumado com o dinamismo das demais temporadas. Era tão simples resolver. Bastava manter a essência, mesmo com a fantasia.

Encerro esse artigo com uma reflexão. O problema não está nas decisões que foram tomadas, mas sim no desenvolvimento e na forma como elas acontecem. Nem acredito que soam como fanfics ou feitas para agradar os fãs, mas soam como situações jogadas com o sentimento de “olha está aqui, para não dizer que não colocamos em tela”. Quando o hype passa e você abstrai consigo mesmo, na calada da noite, essa temporada… percebe que falta alma. Uma alma que se perdeu por motivos que não sabemos. Não creio que a ausência ativa de George R. R. Martin seja um problema, está mais para “não sabemos o que fazer porque tá vindo um Rei da Noite que precisa invadir Westeros e esquecemos de criar uma solução” e como decisão “vamos tirar todo o protagonismo e vida de Westeros, vamos criar eventos um pouco fora da realidade, do contrário, não temos como mudar de tom”. E como fica o status quo dessa temporada para você? Deixe nos comentários!

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