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Séries e TV

Narcos, Crítica

31 de agosto de 2015, POR

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Narcos é uma série da Netflix, narrando a vida de um dos maiores narcotraficantes do mundo, que teve sua estréia dia 28 de agosto de 2015. Apresentando um ponto de vista narrativo, se transforma em uma espécie de documentário jornalistico. Veja a crítica!

Pablo Emílio Escobar Gaviria foi um narcotraficante capaz de criar um novo mercado para o consumo de cocaína, atuante entre as décadas de 70 a 90. Durante o seu “reinado”, Pablo Escobar conseguiu alcançar a lista dos maiores bilionários do mundo segundo a revista Forbes. Ele tinha uma personalidade forte e muita história para contar, alias Escobar marcou todo o contexto do narcotráfico a nível mundial na época. Assim como qualquer outro grande homem do “submundo” do crime, Escobar era esperto, mas acabou sendo fisgado pelas suas próprias ações transformando não apenas a sua vida mas também a vida de toda a sociedade.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Narcos apresenta elementos dos quais somente Padilha seria capaz de garantir.

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Narcos apresenta elementos dos quais somente Padilha seria capaz de garantir.

Baseando-se nessa história, a série Narcos, apresentada pela Netflix, tem como proposta girar em torno do narcotraficante – interpretado por Wagner Moura, retratando sua vida iniciada enquanto um criminoso comum até a sua transformação em um dos homens mais perigosos, procurados e ricos do mundo. É o que está na sinopse. Mas, Narcos vai além e apresenta não apenas Escobar, mas todo o contexto histórico formado em seu redor ao longo de vários anos. Com dez episódios em mãos, o espectador tem a nítida sensação de estar diante de um belo documentário “jornalistico” relatando os principais eventos sob uma visão realista.

José Padilha é quem assina a produção executiva da série e também foi o responsável pela direção dos dois primeiros episódios, bem como a direção de fotografia de toda a série. Não há como deixar de lado o fato de que Padilha foi essencial para o projeto da forma como Narcos foi apresentada. Considerando seu trabalho nos dois Tropa de Elite e em RoboCop, José Padilha tem em seu DNA a sábia necessidade de procurar estabelecer uma relação crítica e questionadora sobre sociedade vs. governo vs. polícia vs. criminosos, o famoso contexto social incorporado a trama e vital quando bem executado. Isso garante a personalidade da série, facilmente comparável as outras obras de Padilha.

A dupla de criadores, Chris Brancato e Paul Eckstein, em realidade elaboram um extenso longa-metragem separado por capítulos. Com a escolha de utilizar a narração em primeira pessoa para a trama principal, Narcos consegue manter a empolgação mas perde parte da própria ação. Atenção, não que a série não apresente ação, mas a execução dos personagens se torna menos intensa do que a série prometia e até poderia entregar. Nesse ponto, é notável que a narração tira parte do “mão na massa” dos protagonistas, resumindo os acontecimentos em algumas frases objetivas e diretas com flashes de imagens. Dessa forma, ao invés de expor as ações diretas de Escobar e seus fortes traços como um homem sem escrúpulos e violento, a trama opera mais em relatar o envolvimento e a participação de Pablo no contexto histórico da época, mostrando apenas o necessário para tanto.

Essa narrativa é executada por parte do agente da DEA – Drug Enforcement Administration, órgão americano que atua na luta contra as drogas – Steve Murphy – interpretado por Boyd Holbrook, e tem o objetivo de mostrar como as histórias de Escobar e Murphy se cruzam ao longo dos anos. Um personagem real e um forte protagonista para a trama, com personalidade de um verdadeiro tira americano honesto que não excluí a participação de Pablo, mas chega ofuscá-lo em vários momentos. Veja bem, Murphy é um ótimo narrador que mantem a história interessante, mas que restringe os eventos a poucos atos de ação servindo apenas para complementar o que ele está querendo dizer. Ao mesmo tempo em que a parte sórdida do narcotráfico está presente, também não está.

O primeiro episódio de Narcos começa a apresentar os dois personagens principais – Escobar e Murphy – estabelecendo lentamente a rede de relacionamento entre diferentes núcleos do enredo – o governo norte-americano, o governo colombiano, os comunistas, os agentes federais, a polícia local, os traficantes e as pessoas da comunidade. Nesse instante, o espectador será capaz de pensar “Padilha faz sentido por aqui” ao mesmo tempo em que sente falta da ação intensa, eletrizante e violenta que a série poderia explorar. Tudo começa a ganhar forma, a partir do terceiro episódio chegando ao ápice do quinto em diante, principalmente quando Fernando Coimbra assume parte da direção dos episódios.

Narcos mantém assim uma boa estrutura narrativa, misturando inclusive imagens reais dos acontecimentos da época, da qual o espectador logo se acostuma. Alias, esse é um dos pontos que mantem a credibilidade da série aproximando-a do gênero jornalistico e reforçando sua capacidade de ser apresentada como um documentário. No todo, é evidente o quanto a trama é capaz de apresentar conspirações e eventos aterrorizantes, assim como duras críticas não só ao governo colombiano e sua corrupção mas também ao norte-americano e suas intervenções. Talvez, somente em alguns momentos se perde demais na narração, resultando em cortes na participação isolada de Escobar, seu cotidiano e de alguns outros personagens.

Todo o elenco de Narcos é bem estruturado. Poderia expor nessa crítica a contribuição dos nomes de todos participantes do elenco, entretanto a verdade é que não há grandes erros e nem grandes acertos. Narcos apresenta uma turma de atores e atrizes capazes de manter o barco navegando. A grande aposta mesmo vai para Wagner Moura, o conhecido Capitão Nascimento ganhando com a obra o destaque necessário na indústria internacional após o mediano Elysium.

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Wagner Moura apresenta um Pablo Escobar filtrado pelo contexto histórico na série Narcos.

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Wagner Moura apresenta um Pablo Escobar filtrado pelo contexto histórico na série Narcos.

Wagner apresenta um Escobar curioso, desde um verdadeiro ídolo da nação colombiana à um psicótico narcotraficante. Um dos traços de atuação mais interessantes é a mudança repentina de humor do Escobar, mas que nunca consegue chegar ao seu ápice devido as interrupções narrativas. Quando Wagner mostra a insatisfação de seu personagem através de seus olhos, por exemplo, o espectador tem a sensação da ascensão de crueldade que apenas em raros momentos acontece. É bem provável que essa seja a identidade de Pablo Escobar pretendida por Narcos, mas apresentá-lo mais como o estrategista empresário distribuidor de drogas do que o traficante violento deixa a sensação de ausência, não que isto estrague a experiência.

Por fim, Narcos é uma série para todos os amantes da história mundial e das séries de canais como History Channel e Discovery Channel, talvez nem tanto para quem procure a exibição do lado violento de um traficante assassino de mais de 4 mil pessoas que trabalhava na base da “plata o plomo” – estratégia famosa utilizada por Escobar, “dinheiro ou chumbo”. Mas embora Narcos se preocupe mais com as relações entre os núcleos criticando suas ações na construção de diálogos, Escobar ainda está lá. Assim, Narcos termina como uma boa história, que leva o espectador até o fim sem problemas. Alias, a obra prova de uma vez por todas o potencial de profissionais brasileiros, que ainda sofrem um certo preconceito diante todo cenário hollywoodiano, na indústria do entretenimento.

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