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Séries e TV

Jessica Jones, 1ª Temporada, Crítica

24 de novembro de 2015, POR

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liJessica Jones é uma personagem fascinante, mas pouco conhecida – inclusive, já escrevi por aqui o que faz dela a representação da mulher real nos quadrinhos. Para os menos engajados, ela não é facilmente encontrada nas páginas da Marvel Comics e é preciso conhecer mais sobre o Universo Marvel para descobri-la. Depois do grande sucesso de Demolidor, a Netflix, em parceria com a Marvel, encontrou a personagem ideal e, ao mesmo tempo, arriscada. Veja a crítica!

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Jessica Jones é o que faltava para a Marvel: uma protagonista feminina sem "papas na linguá" e com muita personalidade.

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Jessica Jones é o que faltava para a Marvel: uma protagonista feminina sem “papas na língua” e com muita personalidade.

Com sua estreia, dois grandes diferenciais ficam em evidência: o protagonismo feminino ganhando destaque e o realismo psicológico e social – sugiro que leia um outro artigo sobre realismo, caso tenha dúvidas. A construção desses diferenciais não é fácil, ainda mais dentro do Universo Marvel já estabelecido, e o desenvolvimento da série trouxe consigo um grande dilema: como apresentar e incentivar o grande público a submergir em uma série sobre uma personagem feminina praticamente “desconhecida”? Nos primeiros minutos, do primeiro episódio, é quando a resposta fica evidente. Seguindo o mesmo caminho introdutório da história em quadrinho, Jessica Jones começa a criar uma narrativa semelhante a sua primeira aparição com o selo Max Comics. Dessa forma, o trabalho desenvolvido pela equipe da série prova que qualquer personagem, independente da fama, pode sim conquistar o seu espaço quando bem construído.

A série composta por seus 13 episódios, no formato Netflix, traz a vida várias e várias páginas da série de quadrinhos Alias, também protagonizada por Jessica, mas com um desenvolvimento diferente em apresentar uma Jessica mais frágil que nos quadrinhos. Pelas ruas de Hell’s Kitchen, em uma Nova York aparentemente atormentada e sombria, conhecemos Jessica, a protagonista com uma baita personalidade que, no desenrolar da trama, conversa bem com o espectador. Jessica não tem medo de ser quem ela é, não poupando suas caras e bocas para se expressar de acordo, além do seu linguajar peculiar e desbocado. Os minutos avançam e o espectador vai descobrindo sobre as habilidades de Jessica e os segredos do seu passado sombrio, que começam a se conectar um a um como uma espécie de quebra-cabeça.

Eis então o arco da temporada. Jessica aposentada como super-heroína, agora como investigadora, precisa resolver um caso que começa a trazer de volta as lembranças do seu passado. O ápice do enredo da série é formado pela relação de Jessica com o vilão Kilgrave – interpretado por David Tennant. Seguindo a linha de desenvolvimento “degrau por degrau”, o espectador fica cada vez mais próximo do vilão e o resultado dessa experiência é interessante. A manifestação da vontade de vê-lo começa a crescer. Kilgrave é um personagem sorrateiro e maléfico que, sendo capaz de controlar a mente de qualquer um que estiver próximo ao seu redor apenas ordenando, vai aparecendo sutilmente ao longo dos episódios e atuando como um imã para centralizar todo o enredo da primeira temporada.

Jessica Jones, a série, foi desenvolvida por Melissa Rosenberg – conhecida por roteirizar os filmes da saga Crepúsculo e a série Dexter. Você consegue perceber o toque Rosenberg nos diálogos do roteiro como os momentos de suspense, um ritmo pouco mais devagar, romance subliminar, foco nos protagonistas, extensos diálogos e apontamento direto à trama principal. A construção do enredo se destaca ao fazer com que vários episódios consigam ser indispensáveis, até mesmo as tramas paralelas são fundamentais para o episódio final e, também, dão início a implantação de ideias para uma possível segunda temporada. No fim, ao acompanhar esse desenvolvimento, o espectador nota que, embora com algumas poucas exceções, não há nada que seja utilizado apenas para “encher linguiça”, como algumas séries costumam fazer. Mas, ao mesmo tempo, cada episódio consegue enrolar demais em insistir em falas repetidas e mal construídas.

Krysten Ritter, a protagonista, é a tentativa de construção da mulher real na série e até consegue garantir uma boa atuação nesse sentido. Após vários trabalhos, Ritter finalmente se destaca como protagonista e mostrar o seu valor à Cidade da Fama, mas é ofuscada pelo roteiro preguiçoso que insiste em repetir várias e várias vezes as mesmas ações da personagem. Depois de assistir a série completa, é notável que Krysten reflete o retrato da própria Jessica dos quadrinhos, uma adaptação surreal e apetitosa para aqueles que já conheciam e eram fãs da personagem, mas falta algo mais, falta aquela Jessica prepotente mostrada nos comerciais da série. Porém, no todo, Ritter representa uma atuação que marca presença e consegue ser balanceada junto ao assombroso vilão Kilgrave, dando aquele toque especial à Jessica. E aqui pulamos para David Tennant que faz mais um ótimo trabalho, conseguindo se destacar como o melhor vilão Marvel desde Vincent D’Onofrio como o Rei do Crime e o melhor personagem da série. Tennant tem aquele ar inglês e com seus trejeitos psicóticos alcançou a adaptação ideal para o Homem-Púrpura, salvando todos os momentos que poderiam dar errado na série.

Além de Ritter e Tennant, há outros personagens que foram crescendo ao longo dos episódios chegando a ter seus breves momentos de glória. Entre eles estão Luke Cage, Trish Walker, Malcolm Ducasse e Will Simpson – interpretados respectivamente por Mike Colter, Rachael Taylor, Eka Darville e Wil Traval. Cada um deles conseguiu ganhar a sua própria história, dentro da história principal. Com segredos inesperados, chegando alguns deles a serem surpreendentes, revelados em momentos chave da trama, o elenco foi capaz de fazer a diferença para o equilíbrio da série. Vale ressaltar ainda que Luke Cage é um personagem que conseguiu provar o seu valor para conquistar a própria série, dando dicas já para a sua história.

Mas nem tudo é um mar de rosas, a série não apresenta muitos efeitos especiais e nem mesmo grandes cenas de luta coreografadas, o que até chega a ser justificável. Porém a exibição dos poderes, tanto de Jessica quando de Luke, são frustrantes, parecendo uma produção “fundo de quintal”. O objetivo ali é montar um ambiente investigativo que converse bem com a protagonista, mas falharam em demonstrar a “heroína” em prática. Nesse ponto, embora Jessica possa ser uma heroína, a pegada de investigadora é mais forte e fala mais alto em todos os grandes momentos da série. Cenas com muitos diálogos e muitas pausas acontecem frequentemente, evidenciando a prioridade voltada à história e não à ação. Para alguns isso pode ser satisfatório, para outros nem tanto. A essência misteriosa dos eventos acaba por deixar algumas sequências bem lentas, é quando aparece a primeira manifestação da vontade de acelerar logo a cena e ver no que vai dar.

Para quem ama uma boa história, um bom vilão e uma boa protagonista, Jessica Jones é o tiro certo. Para os fãs do Universo Cinematográfico da Marvel, ao acabar de acompanhar a série fica claro que: o tom de desenvolvimento é diferente. Enquanto os filmes estão mais para um relacionamento pipoca com o público, a série se volta para um ambiente mais frio e realista mostrando os reflexos dos filmes que deveriam estar, pelo menos em parte, presente nos próprios filmes. É a pegada que sempre faltou em alguns filmes Marvel. Jessica Jones apresenta várias sutis referências ao MCU, mas ganha independência. Alguns dizem que ali aparecem alguns reflexos para o início da Guerra Civil, embora as séries Netflix não seja MCU esperamos que esses reflexos sejam ao menos discutidos também nos filmes.

Nota emocional: A série tem sim algumas falhas, mas para o meu gosto conseguiu ser incrível e se superar frente a outros materiais da Marvel na TV, Netflix ou nos Cinemas. Para mim, Jessica Jones prova que o Universo Netflix Marvel é bem mais saboroso que o Universo Cinematográfico Marvel, conseguindo criar o equilíbrio perfeito entre o realismo e o fantasioso, além de personagens muito mais interessantes logo em suas primeiras aparições. Nesse sentido, o que falta nos filmes da Marvel é exatamente o que Jessica Jones, tal como Demolidor, conseguiram fazer: trazer personagens para um cotidiano mais denso e real.

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  • CK, precisa melhorar na revisão de seus textos… Por exemplo: “incentivar o grande público a EMERGIR em uma série…” Emergir? O certo seria “submergir”, já que você quer dizer “mergulhar” (que, aliás, não é bem sinônimo de submergir). Chamar Hollywood de “Cidade da Fama” é tentar fugir de um clichê utilizando um clichê ainda mais cafona. O que significa um “claro formato Netflix”? Bastava mandar “formato Netflix” e já estava bom. “…trás a vida várias e várias páginas…” – O correto seria “TRAZ À vida…”, já que o verbo é “trazer”, e não existe a palavra “trás”…

    E isso só para falar do começo do texto. Você tem boas ideias e é um ótimo designer, mas ainda precisa melhorar nessa questão primordial de coerência, ortografia e acentuação. Isso é um trabalho para o Super Nerd!

  • Obrigado pelos comentários!! Estou trabalhando nisso, as vezes a pressa de escrever um artigo é completamente inimiga da perfeição :B hahaha tomando mais cuidado eu estarei!

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