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Opiniões

Por que da sensação “mais do mesmo” nos filmes de heróis?

19 de setembro de 2016, POR

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Sinceramente, não há do que possamos reclamar. Os filmes de heróis moldaram um novo gênero nos cinemas, se transformaram em tendência e começaram a mostrar como lidar com a expressão“universo compartilhado” nos cinemas. Com a conquista da Disney no mercado cinematográfico, os nerds só tiveram a ganhar com tantos lançamentos relacionados a cultura pop dos quadrinhos. Mas, e agora? Por que nasce a sensação “mais do mesmo”? Vamos a uma reflexão juntos!

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O problema são os filmes de super-heróis ou a falta de inovação dentro do gênero para manter o público empolgado?

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O problema são os filmes de super-heróis ou a falta de inovação dentro do gênero para manter o público empolgado?

Foi-se o tempo em que nerds tinham dificuldades de encontrar as suas adaptações, como pingos de água em uma lagoa. Ficávamos presos em personagens como Batman e Homem-Aranha, e limitados a uma única grande equipe: os X-Men. Quando a Disney/Marvel começou a provar que filmes de heróis podiam funcionar, lá com seu Homem de Ferro em 2008, o mercado cinematográfico começou a abrir os olhos para algo que hoje se tornou uma tendência.

Desde então já temos dezenas – sim, DEZENAS – de lançamentos adaptados diretamente dos quadrinhos com os heróis que sempre sonhamos ver diante a enorme experiência presente nas telas dos cinemas. Porém, tal como o tempo tudo transforma, o público também transforma e evoluí , tornando-se cada vez mais aguçado e inteligente em sua forma de perceber as histórias. Nesse processo, quando os filmes não são equivalentes ao gosto cada vez mais refinado do público… as obras começam a ficar massivas, “broxantes” e trazem o maior mal de todo: mais do mesmo.

Muitos – e por muitos digo a maioria que estará lendo esse artigo – não querem acreditar ou talvez preferem acreditar que seja uma espécie de “mimimi” por qualquer treta que a imaginação é capaz de criar, mas a verdade é uma: os filmes de herói estão cansando, principalmente quando direcionamos o foco para a Marvel Studios. Ainda não estamos no status de “já encheu o saco”, mas começamos a ter sinais que caminhamos para tanto. O público geral já se acostumou tanto com o gênero, que já é possível saber o final da história antes mesmo de entrar na sessão.

Resoluções fáceis, vilões rasos, personagens de exibição, contexto zero… são algumas das características que parecem se repetir, como uma fórmula, em todos os filmes. A busca pelo hype é uma constante e o máximo que vem conquistando é que o filme bombe por uma ou duas semanas. Se a fórmula da Pixar foi criada para projetar histórias únicas repletas de vários contextos interpretativos, a da Marvel foi projetada para apresentar histórias “iguais” que garantam o mesmo lucro.

Talvez seja isso o que mais frustre. Lucro. A tendência do mercado é projetar o que dê lucro, isso desde que os primórdios do livre comércio, mas isso não significa que algo “mais elaborado” não seja capaz de trazer o mesmo lucro, afinal lucro se faz pela redução dos custos e aumento na qualidade. Não vou culpá-los, se eu fosse um acionista da Disney/Marvel, provavelmente só iria querer ver os retornos sobre o meu investimento – embora, deve-se ser a minha obrigação me preocupar em saber como. Então, desse ponto de vista, quanto mais um filme tiver moldado para o hype, seja ruim ou não, melhor é.

Como exemplo, exponho um filme recente da Marvel, uma vez que a mesma já tem uma direção no cinema. Capitão América: Guerra Civil foi um sucesso, não tem como negar. Um filme no padrão Marvel, adaptando a mesma fórmula e muito parecido com o filme lançado pela “concorrente”. Mas, seu resultado em bilheteria foi fundamental para começar a refletir que: por mais que tudo esteja bem, a tendência vai piorar o status quo dominante se ações não forem tomadas agora. Um filme com o Capitão América, com o Homem de Ferro, com os Vingadores e principalmente com o Homem-Aranha, tudo muito bem divulgado por marketing, não conseguiu chegar os 1,6 milhões de dólares que eram esperados. A questão é: por que?

São pequenos sinais fundamentais em evidenciar a relação do público com tais filmes. Um desgaste da constante sensação de ver o mesmo filme, apenas com cenas diferentes e, por vezes, personagens diferentes. Um universo que se diz conectado, mas ainda não consegue explorar o potencial disso em sua plenitude. Porém, a Marvel é um empresa madura, embora tenha insistido por tanto tempo em uma fórmula padrão, ela mesmo reconhece que não está mais funcionando e vai começar a mudar a forma sobre como lidar com as histórias. Embora muitos acreditem que essa “inovação” irá ocorrer em Doutor Estranho, ainda tenho descrenças e talvez só vejamos acontecer após Vingadores: Guerras Infinitas. Mas acreditem, a inovação é necessária.

Como evoluir os filmes de herói?

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Os filmes de super-heróis são para o grande público, para trazerem lucros, mas e se esse público começar a cansar... o que precisa ser feito?

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Os filmes de super-heróis são para o grande público, para trazerem lucros, mas e se esse público começar a cansar… o que precisa ser feito?

Quando paro por uns instantes e reflito sobre todo potencial existente em um filme sobre heróis, começo logo a ficar frustrado com o que somos apresentados nos cinemas. Eu entendo o ponto de vista de alguns que tanto defendem que heróis são feitos para criança – de fato são – e que a Marvel, com seus filmes, se encaixa perfeitamente nisso, de forma que nós, como não mais crianças, não podemos criticá-los dessa forma ou exigir complexidade. Mas, quem paga o cinema às crianças são os pais que, por sua vez, precisam acompanhar os filhos e uma sessão nunca é lotada de crianças. Então, embora crianças sejam fundamentais para levar os pais e a família ao cinema, elas não representam no todo a massa dos filmes.

Posso fazer uma simples consideração em dizer sobre os dois primeiros longas do Homem-Aranha, com Tobey Maguire, os quais assisti quando “criança”. Ambos, conseguiam lidar com temáticas muito mais complexas do que os atuais filmes Marvel e conseguiram atingir uma bilheteria superior aos 780 milhões de dólares, cada um, para uma época em que o cinema era ainda distante de muitas realidades. Lembro-me bem de sair inspirado das sessões pela forma como o heroísmo era demonstrado junto aos conflitos, ser capaz de me identificar com o Peter Parker e me inspirar por seu “poder” e da forma como ele era usado, tanto em pequenos graus quanto em grandes batalhas.

É o momento em que o problema não é um filme ser complexo, também não é ser pipoca, tal como o problema passa longe do filme ser otimista ou sombrio. O grande problema, para mim, é o filme não se levar a sério em qualquer nível, ignorando a construção do contexto por trás da história. Aliás, é sobre isso que fala o realismo. Dá próxima vez que alguém disser que filme realista é sinônimo de sombrio, mostre esse artigo a ele e também um outro sobre realismo nos filmes de herói que você pode ver clicando aqui.

Cada filme pode ter o seu tom, respeitar sua vibe tal como a vibe dos personagens, mas o filme tem que saber caminhar para se levar a sério, não fazer da, querida por Hollywood, destruição do mundo uma palhaçada onde tudo é muito visual e no fim tudo acaba bem, sem consequências, sem problematizações, uma luta gratuita de mais um vilão que quer dominar o mundo mal sabemos o porquê.

Existem potênciais dentro de cada herói, existem contextualizações necessárias para embasar a história, é preciso que exista um cuidado para que o filme tome como sua própria realidade o universo desses heróis e suas implicações dentro dele. Lembre-se, realismo dentro de um contexto o faz levar a sério quaisquer ações, tais como suas implicações. É daí que podemos tirar as lições, nos inspirar em certos heróis ou entender como devemos seguir caminhos opostos aos deles, para sermos capazes de julgá-los, entendê-los e aprender com a arte do cinema.

X-Men: um grande universo para explorar o preconceito e isolamento social, tal como a luta pelo alcance de igualdade dentro de uma sociedade que não aceita o diferente. Homem de Ferro: grande oportunidade para demonstrar as implicações do alcoolismo e a superficialidade para um super-herói, com suas consequências. Capitão América: espaço perfeito para falar sobre sociedade, contextos mais políticos, tramas internacionais e um homem com ideias diferente dos que regem as grandes nações. Superman: ótimo lugar para lidar com a solidão, a falta de encaixe dentro do mundo em sentir todo poder, mas saber como lidar em usá-lo. Por aí vai…

Eu poderia escrever por parágrafos e mais parágrafos sobre as inúmeras possibilidades de lidar com heróis, com heroísmo, com a vida por trás do herói. Tudo isso seria ainda apenas a contextualização da história, pois ainda existiriam os vilões e existiram todos os problemas com quais heróis precisam lidar. Mas, no fim, seria possível tirar uma lição de cada filme, um aprendizado com cada herói para se inspirar por um mundo melhor. Quadrinhos, alias, eram muito mais sobre isso antigamente.

A superficialidade faz com que, por mais que você tente, tanto faz o lado do Homem de Ferro e do Capitão América, não é nítido quem tá certo ou errado não porque “cada um tem o seu ponto de vista no filme”, mas porque “os dois foram projetados para criar afeição com o público, serem mais cool”. Sobra para o lado que não é tão “cool”, o Capitão América, porque o próprio filme faz com que ninguém esteja nem aí para o contexto, uma vez que não sabe criar isso de tal forma que os heróis precisam.

Então, agora é só esperar por um mundo onde os filmes de herói consigam alcançar um “status quo” de serem “divertidos, interessantes e contextualizados, trazendo algo a mais do que apenas imagens”. Sinceramente, de todos os filmes da Marvel Studios ou desses gênero, aposto que nenhum te marcou como o Homem-Aranha do Sam Raimi, que ainda é atemporal e marca muita gente, tal como aposto que as crianças nem lembram mais desses filmes lançados desde 2008. Se nada se tornar significativo como precisa ser, não uma máquina de cópia, o pior que pode acontecer é o mercado exaurir, onde nós nerds ficariam com menos frequências desses filmes que já começam a não trazer o mesmo resultado não valendo o investimento para acionistas.

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  • Miguel

    Só criticou a Marvel no texto, devia mudar o título da matéria ou então acrescentar que as concorrentes (Warner e Fox) fazem tmb a mesma coisa aliás eu já não aguento mais o mesmo estilo de direção, fotografia, visão de Zack Snyder onde todos os filmes até agora foram iguais e principalmente do Brian Singer que tá mais do mesmo desde X-Men 3. As franquias do Michael Bae tmb são outro câncer que diretor medíocre e automático, sempre fazendo o mais do mesmo.

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