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Opiniões

“Nerds” que destroem a Cultura Nerd

4 de novembro de 2015, POR

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A cultura nerd, embora muitos confundam com a cultura pop, existe há décadas. E durante todos esses anos vem moldando um público fissurado pelo mundo do entretenimento, e do conhecimento, de forma inimaginável. A popularidade dos nerds vem crescendo de 2008 para cá, principalmente graças a ascensão da Marvel Studios no cinema com sua linguagem que atinge o grande público. Mas o que deveria ser um progresso, também tem se tornado um grande regresso a tudo que nós, nerds de alma e coração, sempre prezamos.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Adentrantes da Cultura Nerd, através da Cultura Pop, têm cada vez mais criado um desconforto na comunidade nerd, por não serem de fatos nerds, mas apenas fãs como quaisquer outros com fandoms.

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Novatos na Cultura Nerd, oriundos através da Cultura Pop, têm cada vez mais criado um desconforto na comunidade nerd, por não serem de fatos nerds, mas apenas fãs como quaisquer outros com fandoms.

Cultura Nerd ou Cultura Pop?

Você provavelmente já deve ter ouvido os dois termos, mas é dentre tantas expressões a mais comum por uso excessivo é: cultura pop. O problema é que, por algum lapso temporal, a denominação popularizada acaba não refletindo a verdadeira cultura nerd. Para ser sincero, uma pergunta como “o que é Cultura Pop?” levaria a várias faces retorcidas na tentativa de encontrar uma resposta palpável, que geralmente resultaria em algo como “os filmes de super-heróis”. Diante essa percepção, nada melhor do que começar do básico!

“Pop” tem a sua origem na palavra “Popular”. Quando o termo é associado a cultura, então é fácil expressar a cultura pop como um movimento popular dentro da sociedade. A partir do momento em que cada um de nós estamos posicionados dentro do universo nerd, a cultura pop é sobre tudo que conhecemos. Superman, Homem de Ferro, Star Wars, Star Trek, Marvel, DC e etc, são frutos da nossa cultura, tal como são elementos populares entre cada um dos nerds. Porém, ao levar o termo cultura pop para o grande público a história muda… não se trata mais sobre o nosso universo, mas o universo mundial e tudo que está em ascensão se transformando em popular.

Um exemplo fácil é Velozes e Furiosos, que não necessariamente se incluí no universo nerd, porém já tem sua posição garantida dentro da cultura pop mundial, e por conta disso muitos acabam incluindo a franquia na cultura nerd e ficamos diante uma confusão. Que fique claro, um produto da cultura pop é algo que transcende a sociedade e que grande parte do público conhece, convive, entende e se relaciona. Alguns elementos da cultura pop são mais fortes do que outros. Os super-heróis, por exemplo, há décadas vêm marcando a vida das pessoas e não há quem não conheça um Superman ou Batman, independente de gostar ou não. Mas, também não há quem não conheça um Mickey Mouse ou Pato Donald, mesmo estes não estando diretamente conectados a cultura nerd.

Por este motivo nem sempre falar sobre cultura pop é falar sobre os nerds, e o termo “cultura nerd” está aí para fazer a diferença. Livros, quadrinhos, games, filmes, séries e qualquer manifestação de arte e expressão com uma pegada nerd, independente da popularidade com o grande público, se conecta diretamente a cultura nerd, agregando ainda mais valor e densidade a mesma. Por tanto, quando digo cultura nerd, falo sobre o nosso mundo, o mundo dos nerds feito para os nerds! Algo que, pelo menos por enquanto, a cultura pop ainda não é capaz de representar em sua totalidade.

O “fim” da Cultura Nerd

Os tempos são outros, o mundo mudou e vem se transformando cada vez mais em algo ainda maior e inimaginável. A popularização de alguns elementos da cultura nerd rumo a cultura pop está trazendo uma série de novos participantes a esse movimento. O que problema é que… a maioria deles não são nerds e acabam agregando uma imagem que era distante da realidade nerd: a rivalidade agressiva e a “chatice” crônica. Essa grande massa de pessoas é fã do conteúdo popular nerd, tal como existem fãs de Rock, fãs de Formula 1, ou fãs de Futebol. E desculpe caros leitores, mas ser fã está bem longe de ser nerd.

Lembro-me como eram os tempos antigos, anos e anos atrás, antes de qualquer rede social. Você gostava de algumas “revistinhas” da Marvel, outras “revistinhas” da DC, também era apaixonado pelas séries de Star Trek, e “brisava” horas e horas em cada um dos episódios da saga Star Wars vivenciando aquela história enquanto brincava com seu Sabre de Luz e Stormtroopers imaginários. Ah, e é claro! Não deixava de viver a vibe Pokémon ou Digimon, e apenas imaginava como seria uma luta divertida em Goku e Superman percebendo que o vencedor seria você por ver isso acontecer. Tinha as suas preferências, mas aproveitava o que aparecesse pela frente.

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A rivalidade entre a Marvel e a DC sempre existiam, assim como também existia divergência na comunidade nerd. Mas, verdadeiros nerds sempre souberam aproveitar o melhor de ambas, construindo discussões e rivalidades saudáveis, que levavam cada um a reconhecer o melhor e o pior de cada personagem e de cada editora. Característica fundamental em todo que se julga nerd.

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A rivalidade entre a Marvel e a DC sempre existiam, assim como também existia divergência na comunidade nerd. Mas, verdadeiros nerds sempre souberam aproveitar o melhor de ambas, construindo discussões e rivalidades saudáveis, que levavam cada um a reconhecer o melhor e o pior de cada personagem e de cada editora. Característica fundamental em todo que se julga nerd.

O nerd, nerd de fato, era assim, mais do que fã, um vivente da cultura nerd que também costumava ser recriminado na escola. Além de gostar das coisas mais “esquisitas” para a massa da sociedade, ainda conseguia ser mais inteligente que seus coleguinhas. E não era fácil para o nerd conviver com isso. Afinal, nerd que é nerd tem um “Q” a mais, ele vive o conhecimento, ele é a própria cultura nerd e está sempre na busca incansável por mais e mais conteúdo de qualquer forma ou tipo. A cultura nerd não era tão reconhecida quanto é hoje, mas já era um orgulho nato dos pequenos aos maiores nerds.

A diferença é que, em tempos antigos, o orgulho da própria cultura precisava ficar escondido entre quatro paredes e isolado do mundo. O nerd vivenciava tudo aquilo em seu mundo próprio e era apaixonado por cada pequeno detalhe. As vezes dava sorte de encontrar outro nerd pela vida ou então se misturava com os fãs de conteúdo pop, mas não se arriscava em exibir com cabeça erguida sua marca de Jedi e seu Sabre de Luz – até para os fãs normais de Star Wars isso era demais. Os poucos que davam a cara a tapa, sofriam qualquer forma, e tipo, de ataque inimaginável capaz de criar situações complicadas em ambientes escolares e até mesmo fora da escola. Realidade que só quem viveu sabe.

Pausa para reflexão! Se você não viveu as dificuldades dos nerds pré-popularização, ou imagina a agressão aos nerds como forma de “vitimismo” – afinal, essa se tornou uma palavra popular atualmente, sugiro que assista ao filme Bullying, do movimento The BULLY Project, de 2012 que visa explorar não só o posicionamento dos nerds dentro da escola como também o das crianças com gostos e aparências diferentes. Aviso: esteja preparado psicologicamente para o que verá.

Esse afastamento da sociedade, levou que muitos e muitos nerds não só mergulhassem completamente no universo nerd, como também começassem a entender, respeitar e analisar cada obra que admiravam por elas atuarem como um refúgio fascinante diante aos preconceitos que eram capazes de enfrentar dia a dia. Esse movimento criou nerds inteligentes, apaixonados e inspirados, que hoje continuam seguindo o mesmo comportamento, mesmo com a ascensão dos filmes de super-heróis.

Porém…

Anos e anos depois, agora em 2015, ser nerd é ser descolado. É saber sobre a Marvel, é saber sobre a DC, é estar antenado sobre os maiores filmes, séries e quadrinhos da cultura pop, servindo como fonte de consulta para os novatos do movimento. Até aqui a cultura nerd estaria se transformando em tudo que os nerds sempre sonharam, algo que seja compartilhado com todos a nível mundial. Entretanto… a realidade vem destruindo esse sonho por criar um novo tipo de nerd que se distância ao máximo da essência nerd, o tipo que chamo de: fakenerd.

Nada contra fãs, eu sou fã de muitas e muitas coisas. Eu sou fã de certas cantoras pop, também como sou fã de vários atores e atrizes, assim como sou fã de uma infinita série de coisas que nem ao menos se conectam com a cultura nerd de fato. O fato é que, por ser nerd desde de pequeno e ter convivido com a “realidade nerd”, adquiri um valor que era cultivado amplamente dentro da cultura nerd: o respeito e o bom senso agregado ao conhecimento, a sabedoria e a inteligência. Eu sempre adorei X-Men e Homem-Aranha, por exemplo, e sempre achei o Homem de Ferro um babaca sem escrúpulos. Mas, ao mesmo tempo, sempre soube reconhecer o pior dos X-Men e o melhor do Homem de Ferro. Isso está enraizado nos nerds, o reconhecimento das obras. Já os fãs não têm a tal característica comum nos nerds.

Fã que é fã está voltado para seu ídolo e nada conseguirá ser melhor, assim como ele defenderá a qualquer custo o seu ídolo utilizando de N argumentos para que a sua opinião contrária diante ao ídolo dele seja sempre inválida. Um fã dificilmente tem a percepção do que é opinião, do que é ponto de vista, e parte para uma discussão que sai do saudável rumo ao agressivo, principalmente na internet. É aqui, aliás, que começa a nascer o princípio que citei no começo deste artigo: a rivalidade agressiva e a chatice crônica. Essa sempre foi uma característica de fandoms, e jamais foi uma característica nerds. Porém, com a ascensão da cultura nerd principalmente na temática super-heróis, os fãs acabam se intitulando nerd e dissipando uma imagem que nós nerds de fato jamais quisemos transmitir.

Esse processo tem destruído cada vez mais a essência nerd, o que acaba refletindo a percepção do público em relação a cultura nerd. Antigamente, nerds eram vistos pela sociedade como “os excluídos, porém quando vistos de perto ótimas pessoas em saber se relacionar com o entretenimento”. Hoje, com os “fakenerds”, nós nerds estamos como começando a ser vistos pela sociedade como “os populares, porém babacas exigentes”. Se você não acredita, basta sair navegando pela internet, e vai conseguir identificar os tais “fakenerds” como apenas fãs alucinados por seus ídolos em agressividade aos discordantes, aquela típica atitude fanboy – o que é irônico, pois esse é o mesmo pessoal que critica a atitude de garotas alucinadas com ídolos de música pop, vai entender…

Aquela rivalidade nojenta que antes estava apenas existente nos assuntos sobre política, religião e futebol, e principalmente a violência primitiva existente em arquibancadas de estádios de futebol, agora nasce cada vez mais forte e agressiva dentro da cultura nerd por pessoas que se julgam nerds, mas que no fundo não tem nada de nerd. Como nerd desde o dia em que nasci, deixo aqui a reflexão sobre o estrago a essência nerd propiciada por fãs alucinados, ou “fakenerds”, e o quanto é importante que os nerds comecem a adotar uma postura diante a esse novo movimento. Mas que fique claro, não os culpo por serem fãs, os culpo trazer uma rivalidade que foge ao perfil nerd e começarem a deturpar a imagem que a sociedade tem do nerd, tornando a mensagem e visão dos nerds impossíveis de serem transmitidas. Um regresso diante ao progresso. No todo a culpa não são apenas deles, mas também das páginas e dos perfis influenciadores que alimentam esses fãs com ódio e repulsão. Anseio pelo dia que será possível ser o verdadeiro nerd de novo, antes o preconceito vinha da sociedade para os nerds, agora vem de dentro dissipado por vermes que se infiltram na cultura nerd.

Então… você é o(a) nerd ou o(a) “fakenerd”?

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Vida longa e próspera a todos!

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  • Leonardo

    Achei um pouco generalizado seu texto tipo na parte em que você diz “um vivente da cultura nerd que também costumava ser recriminado na escola. Além de gostar das coisas mais “esquisitas” para a massa da sociedade, ainda conseguia ser mais inteligente que seus coleguinhas.” e não tem nada pior do que generalizações junto de vitimismo. De resto concordo que hoje a tolerância anda predominando no meio independente do gênero.

  • Mas, infelizmente, esse é um retrato da grande maioria dos nerds na época pré-anos 90. Existem vários documentários que expõem que não se trata de uma generalização, mas sim especificação. É que há uma confusão muito grande entre “o que é ser nerd” e “o que é ser fã”. Fãs se consideram nerds, ao mesmo tempo em que possam ser. Mas nerds tem algo a mais, e é isso que fazia o grupo passar por um processo de exclusão. Um vivente da cultura nerd entre outros viventes da cultura nerd, não costumava passar por esse processo. Porém o tal nerd solitário, é algo específico do gênero nerd que está associado ao saber, a inteligente. Essa é a origem do termo, assim que os nerds se apresentavam, mas entendo seu ponto de vista. Talvez você não tenha sido um nerd a passar por isso, talvez você tenha vivenciado uma tangente diante a exceção a regra, isso não significa que a maior parte do grupo nerd passava por esse status de recriminação e há inúmeros relatos disso, sendo eu próprio o caso dentre as estatísticas.

  • Sereia de Gotham

    Tem espaço para todo mundo, nerds e fãs, só precisam aprender a conviver e respeitar as opiniões.

  • Vitor Leonardo

    Lembro-me da época em que o nerd não gostava de ser conhecido por ” nerd”, as pessoas zoavam, excluíam e diminuíam eles. Lembro também de minha infância com dois amigos meus: Julio e Felipe, eu era gordo, o Felipe era alto demais e todo estranho e narigudo, o Julio era todo lento e narigudo também, éramos os estranhos da sala, nós eramos os alunos que tiravam boas notas, éramos fechados a esse trio, falávamos sobre jogos, computador, manhas e macetes pro Need for Speed: Underground 2, discutíamos sobre as fases de The Legend of Zelda e outras coisas… Éramos considerados os “nerds” da turma, tirando a zoação com a nossa cara, éramos felizes..

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