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Opiniões

Filmes de super-heróis NÃO são para os nerds

15 de setembro de 2015, POR

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Sempre a mesma polêmica: “ESPERE, mas não era assim nos quadrinhos!”. Nós nerds ainda não nos acostumamos com o fato que de cinema não é quadrinho, e quadrinho não é cinema. Alias, filmes da cultura pop não são nem se quer produzidos para nós. Entenda agora o porquê!

Nos últimos anos mais de quinze filmes de super-heróis foram lançados. Um investimento que resultou em mais de 1 bilhão de dólares, apenas em território americano, para os estúdios só em 2014 – o que inclui os filmes: Capitão América 2, Guardiões da Galáxia, X-Men Dias de um Futuro Esquecido e O Espetacular Homem-Aranha 2. Em contra ponto, a industria dos quadrinhos, também em território norte-americano, foi capaz de coletar “apenas” 935 milhões de dólares no mesmo ano.

Olhando os números por cima, as diferenças são poucas, mas considerando que foram lançados apenas quatro filmes do gênero e que para atingir os 935 milhões em quadrinhos foi preciso dezenas de revistas em diversos formatos de diversas editoras, onde estimasse que “apenas” 327 milhões de dólares representam o mercado Marvel, a diferença se torna notável. A partir desse momento, é visível que o mercado cinematográfico é muito, mas MUITO, maior do que o mercado das histórias em quadrinhos.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

O leitores de quadrinhos representam um grão de areia do deserto em relação ao grande público que frequenta o cinema.

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O leitores de quadrinhos representam um grão de areia do deserto em relação ao grande público que frequenta o cinema.

Mídias diferentes, públicos diferentes

Fato irremediável: um filme é muito mais cômodo do que uma HQ, não por uma questão de leitura mas sim do ponto de vista do entretenimento. É muito mais fácil, e cômodo, que a maioria das pessoas sintam-se mais entretidas com uma experiência em áudio e vídeo, do que em páginas de quadrinhos. Por esse motivo, o mercado cinematográfico não tem como foco cada um de nós, nerds que acompanham os quadrinhos, mas sim o grande público que faz a diferença no momento de somar a bilheteria.

O público, mais generalizado, não se “importa” com o que está escrito nos quadrinhos, seja por desconhecimento ou mesmo por não sentir a necessidade de emergir no universo comicbook. O que é dito e exposto na tela do cinema para tais pessoas, a primeiro momento, se torna a lei absoluta da verdade sobre os personagens que são apresentados. Aquele pessoal massivo que está nos cinemas não quer saber se Ultron foi criado por Hank Pym, para eles quem manda é o Tony Stark. Afinal, é o que dita a trama do longa metragem.

Aqui os conflitos começam. Cada um de nós, nerds, pouco antes de entrar dentro de uma sessão no cinema, estamos preparando com nossos faros mais aguçados não apenas para “entender a referência”, mas também realizar as comparações com as histórias em quadrinhos. Muitos de nós, inclusive eu, vamos além e começamos a tentar prever e imaginar todo o enredo de um filme baseado na história de mesmo nome – como, por exemplo, Capitão América: Guerra Civil.

O que esperamos é que tudo o que conhecemos esteja ali sendo fielmente adaptado, mas o que encontramos em todos os casos são dezenas de novas informações diferentes das já conhecidas. Quer exemplo maior do que os filmes da DC Comics que em nada se conectam com os quadrinhos? Temos algumas referências ou outras, temos os mesmos personagens, mas o enredo de fato é completamente original e mais generalizado para um público que não conhece todo o rico universo dos super-heróis.

A verdade é que esse processo de transformação das histórias para outra mídia cria várias e várias discussões, principalmente, dentro das redes sociais. Fãs dos quadrinhos que discutem com aqueles que apenas assistiram aos filmes, fãs dos filmes que discutem com os fãs dos quadrinhos, fãs de série que shippam personagens que nem ao menos ficam juntos nos quadrinhos, fãs dos quadrinhos que reclamam da mudança dos estúdios, estúdios que ignoram completamente os nerds da jogada, etc. Um emaranhado de discussões que levam a um vazio sem respostas.

Passou da hora de cada um de nós entendermos e aceitarmos que esses filmes não são para nós, os leitores de quadrinhos, eles nem sequer são feitos pensado em nós – embora tenhamos essa ligeira ilusão. Os estúdios vão sempre buscar as inspirações direto na fonte, aquele lugar que já conhecemos como a palma de nossas mãos, entretanto eles irão transformar todo aquele conceito em algo maior, genérico, popular e digerível para a grande massa do público.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Os filmes de super-heróis são para o grande público, aquele que faz a diferença ao ver o ROI - retorno sob o investimento.

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Os filmes de super-heróis são para o grande público, aquele que faz a diferença ao ver o ROI – retorno sobre o investimento.

O problema da batalha entre os Quadrinhos e os Filmes

Filmes de super-heróis são para todos e, principalmente, para quem desconhece os quadrinhos. Aqui começam os problemas. Em uma tentativa de remodelar as adaptações para o público, alguns elementos primordiais se perdem comprometendo a obra para todos. Um evento tão significativo quanto a Guerra Civil, por exemplo, pode perder o valor pois deixará que de contar com detalhes que tornavam a história tão incrível, resultando na insatisfação do público nerd ao mesmo tempo em que é apenas mais um divertido filme Marvel para o grande público, para a família.

Indo mais além, ainda há a completa mudança de personagens que perdem sua característica fundamental – aquela que o define – para se transformar em algo palpável ao grande público. Eu, por exemplo, não digeri muito bem o fato de Peter Parker deixar de criar seus lançadores de teia, passando a ser mérito do Tony Stark. Embora as alterações se encaixem no contexto da nova mídia, os filmes cada vez mais se distanciam das raízes nerds e generalizam nossa cultura que lutamos tanto para ganhar espaço dentro da sociedade.

Tudo chega ao cúmulo quando, devido ao sucesso cinematográfico, as mudanças começam a afetar diretamente as histórias em quadrinhos. Como está acontecendo, por exemplo, com a nova Marvel Comics apresentando histórias baseando-se no que está sendo criado e executado nos cinemas. Com o tempo, tal estratégia fará com que o público do cinema se torne de fato quem realmente manda, começando a empobrecer as páginas dos quadrinhos das histórias que tanto amávamos.

Enfim…

Enquanto lidamos com esse conflito de informações, a verdade é que esperar que tudo seja como nos quadrinhos é um tremendo erro, assim como esperar que os cinemas não afetem os quadrinhos. Nós reclamos, sim! Nós reclamos sobre Hank Pym, nós reclamamos sobre a duvidosa participação do Homem-Aranha em Capitão América: Guerra Civil, nós reclamos sobre tudo apontar para Tony Stark, nós reclamamos sobre as diferenças… Mas, esquecemos que tais filmes não foram feitos para cada um de nós, nerds, apaixonados pelas páginas dos quadrinhos.

Evidente que esse processo de adaptação não significa que não possamos ter ótimas experiências, é totalmente empolgante e excitante ver cada um de nossos personagens favoritos ganhando vida nas telas do cinema. No fundo, é preciso apenas se libertar das páginas, abrir a cabeça para novas ideias, esquecendo completamente os quadrinhos enquanto imergimos nas tramas de cada filme. Estamos diante de universos completamente distintos. Quadrinho é quadrinho, filme é filme e, inclusive, série é série.

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  • Concordo, por mais que eu ame as HQs, eu também amo as séries, por exemplo, esse alvoroço todo por que o Oliver e a Felicity ficaram juntos na série, eu acho completamente chato e desnecessário, aí começaram a falar que ela estragou a série só por causa disso, gostar da versão do quadrinho é uma cosia, mas desmerecer as outras versões, eu também não acho correto. Enfim, ótimo artigo, adorei!

  • Exato, é preciso começar a perceber que em cada mídia, é uma nova história e não se trata tudo sobre quadrinhos.

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