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Opiniões

Como os filmes digitais podem matar as grandes produções?

21 de dezembro de 2016, POR

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O título soa pretensioso, mas é uma verdade inevitável: os filmes digitais podem eliminar e tornar inviáveis produções com grandes orçamentos. Como eu sei disso? Venha ler o artigo comigo e vamos entender um pouco mais sobre o mercado cinematográfico.

De acordo com o Bloomberg, na matéria que você pode ver clicando aqui, a Apple Inc. tem pressionado os estúdios de Hollywood para ter acesso antecipado as estreias nos cinemas. Conversas tem acontecido junto a 21st Century Fox, o grupo Time Warner e a Comcast, dona da Universal, para poder disponibilizar os filmes para aluguel no iTunes, pelo menos, duas semanas após a estréia oficial – dessa forma, também, cobrando valores mais altos aos consumidores finais interessados. E aqui começam os novos problemas da indústria cinematográfica.

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Star Wars: Rogue One, por exemplo, já está em pré-venda no iTunes, provando a intenção da Apple de aproveitar do hype dos filmes antes que ele se esgote.

Atualmente, dentro da rotina normal, um filme somente é lançado para consumidor final, fora dos cinemas, 90 dias após a sua data de estréia oficial. Nesse período, mesmo que a maioria dos cinemas não estejam mais exibindo o longa em cartaz, não existirão cópias oficiais para serem assistidas em casa. Esse modelo é arcaico e já traz consigo uma série de problemas para a fase pós-cinema capazes de reduzir as vendas que incluí: a falta de desinteresse por uma obra com o passar dos dias, a pirataria mais veloz que o lançamento físico e cada vez mais novas estreias ofuscando as antigas.

Com a velocidade de informação estamos em um status quo onde Star Wars: Rogue One, que estreou recentemente, só vai atingir um nicho muito MUITO específico quando sair em blu-ray ou até mesmo para aluguel digital. Isso devido ao fato de que, até se passarem os 90 dias, várias outras grandes estreias já chamaram atenção do grande público e o que estreou há 3 meses atrás já não atrai mais ninguém, a não ser quem esteja estritamente interessado – e quem está estritamente interessado irá comprar de qualquer forma. Para completar, com o digital tomando conta da vida das pessoas, as mídias físicas retem ainda menos vendas necessitando de novas estratégias de lançamento como: “edição especial”, “versão estendida”, “extras exclusivos” e por aí vai. A intenção da Apple é clara, ela não quer vender e entregar quando o filme já cai no esquecimento, ela quer aproveitar o hype do filme logo em sua estréia.

Não dá para apontar um culpado por tudo isso, é apenas um processo da velocidade de informação. Quanto mais informação se tem, mais informação precisa ser ignorada ou “esquecida”. É um fato que, atualmente, o consumidor está mais suscetível ao aluguel online do que anos atrás. O próprio nascimento da Netflix transformou a forma como qualquer um pode ter acesso a milhares de obras com apenas uma única assinatura e um acesso a internet. Dessa forma é muito mais fácil disponibilizar qualquer obra online para um consumidor que já tem esse hábito. E o problema se encontra na palavra “hábito” para esse tipo de público. Eu, você e qualquer um já acostumado com a plataforma Netflix, no fundo, está mais apto a manifestar mais vontade em fazer uma maratona no final de semana do que sair para o cinema.

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A Netflix teve um papel fundamental ao transformar o hábito dos consumidores provando que assistir online pode ser tão interessante e divertido quanto ir ao cinema.

Nos dias de hoje o que convence qualquer um a ir ao cinema são as promessas de grandes estreias, com orçamentos ainda maiores na jogada. A partir do momento que uma estreia está no cinema, estamos sujeitos a disponibilidade do cinema, como: horários, lugares, filmes dublados, legendados, em 3D ou 2D, onde, na maioria das vezes, não encontramos mais a “sessão perfeita”. Filme online é sinônimo de “sessão perfeita”. Você pode assistir a hora que quiser, quando quiser, com quem quiser e no idioma que quiser. Por esses e outros motivos, a pirataria ainda domina o mercado do entretenimento, porém a pirataria ainda tem suas falhas. Quer dizer, durante o prazo de 90 dias, é possível encontrar filmes que ainda estão no cinema apenas com uma qualidade ruim, além de sua origem ilegal, acabando com sua experiência e fazendo o cinema se tornar novamente a alternativa mais viável para as grandes estreias.

Agora, quando a Apple aparece e afirma “precisamos dos filmes duas semanas depois de sua estréia” – principalmente, por perder vendas por motivos já listados acima – transforma toda a dinâmica da indústria. Para filmes independentes ou com orçamentos melhores, é uma excelente jogada. A oportunidade que não tiveram nos cinemas, foi suprida pela velocidade que foram entregues aos consumidores. Como filmes independentes costumam ser menos visados pela pirataria e conquistam um público, na maioria das vezes, específico… torna-se mais fácil vendê-los quando não há a necessidade pela espera da grade de 90 dias. Mas, se tratando dos manda-chuvas é um enorme problema que eu sintetizo em dois tópicos principais – talvez por isso a Disney, quem mais faturou esse ano, não tenha aceitado participar das negociações até o momento.

#1 Antecipar o filme digital, também é antecipar a pirataria de qualidade

A pirataria não vai deixar de existir da noite para o dia e sistemas de proteção, mesmo que ultra-criptografados, ainda não a melhor solução. Um homem com uma câmera nas mãos sempre será um vilão e vencerá a indústria, ceder a oportunidade do acesso antecipado a ele é como entregá-lo um pote de ouro. O acesso antecipado aos filmes que ainda estão no cinema irá contribuir para que o pirata capture com imagens ainda melhores, consequentemente afetando a indústria dos filmes digitais – pois sempre existiram consumidores mais tentados pelo que é gratuito com a mesma qualidade do que é pago.

#2 O filme digital antecipado somado ao hábito do consumidor afeta a bilheteria

Veja bem, se eu tivesse a oportunidade de assistir Star Wars: Rogue One mesmo que duas semanas depois, sem me sujeitar as inúmeras sessões 3D do cinema, eu aceitaria, independente do valor – e para os que não estivessem dispostos a pagar, cairíamos no problema do tópico #1. Não apenas eu, mas a maioria dos consumidores que já possuem o hábito digital de assistir online preferiria deixar de lado a experiência no cinema para fazer uma “sessão perfeita” em casa a seu próprio modo e com seus próprios gostos – dublado ou legendado, 3D ou 2D. Tudo pode ficar ainda mais perfeito quando esse mesmo consumidor pode simplesmente marcar um encontro em casa, convidando seus 10 melhores amigos, para assistir o filme.

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Cinema em casa é tentador até para os mais aventureiros.

Até aqui para o consumidor está tudo bem – afinal, não há nada melhor do que a “sessão perfeita”. Mas espere… uma cópia do filme acabou sendo transmitida para 11 pessoas. O que para o cinema significaria 11 ingressos, ao custo médio de 20 reais, para o filme digital significaria uma única cópia, ao custo médio de 40 reais – e nem estou incluindo as inúmeras vezes que o consumidor poderia ver o filme sem precisar pagar novamente, como acontece nos cinemas. No final das contas, para o estúdio o “prejuízo” foi quase de 80% pois não houve a garantia que todos os 10 amigos comprariam suas cópias como acontece caso todos decidissem ir ao cinema e também não ouve garantia que, quem já assistiu online, vai até o cinema ver o mesmo filme na mesma qualidade.

Quero salientar e reforçar que o problema não é do consumidor! Existe o direito de reproduzir sua cópia, pois: não há controle e a cópia, uma vez adquirida, é do consumidor. Mas para os cinemas… os efeitos seriam inúmeros e a principal consequência para uma grande produção seria a redução da sua receita totalmente imprevisível dependente diretamente da vontade e do comportamento do consumidor – que já está acostumado com o universo online. Mesmo que o lançamento acontecesse somente no digital, tirando o cinema da jogada, a quantia arrecadada não seria suficiente para manter as grandes produções, basta fazer as contas.

O BOOM na indústria cinematográfica

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Para mim, da mesma forma que industria da música depende da experiência dos shows para sobreviver, Hollywood depende da experiência dos cinemas.

Imagine o quanto a lucratividade cairia do dia para noite, uma vez que nem todos os filmes conseguem chegar a coletar uma bilheteria eficiente em duas semanas ou são lançados em diversos mercados simultaneamente. Nessa regra um filme que estreasse com duas semanas de atraso no Brasil já enfrentaria problemas ainda maiores, pois sua cópia digital já estaria disponível – e o mercado brasileiro é um dos que mais consome pirataria quando a mesma apresenta boa qualidade. As implicações seriam inúmeras. Um estúdio mesmo sendo grande tem que contar as moedas, teria uma redução abrupta da receita onde ficaria inviável produzir filmes com grandes orçamentos e, por consequência, grandes estreias tornariam-se escassas. Lembrando que nem cheguei a considerar como afetaria o cinema propriamente dito, que já vinha andando a cordas bambas tempos atrás, mas se beneficiou com as grandes estreias.

A simples antecipação do filme, em sua versão digital, acarretaria em inúmeros problemas difíceis de conter e é quase impossível prever como afetaria o mercado e a pirataria. Talvez a Apple esteja sendo ambiciosa demais ao estipular “duas semanas”, talvez a solução estivesse mais para “um mês e meio”. Mas é certo que a adoção do lançamento digital tão próximo do lançamento nos cinemas varia com que várias das grandes produções morressem na praia antes de conquistar o seu bilhão, como acontece atualmente nos cinemas, e afetaria a garantia de investimentos para as próximas produções – novamente, é importante destacar que a Disney não está negociando, pois deve ter a mesma percepção de mercado.

Filmes digitais são um passo para o futuro, mas ainda é preciso um certo cuidado para não eliminar os cinemas, reduzir as receitas e consequentemente afogar as grandes produções. Nós, meros consumidores da indústria, só devemos esperar que essas negociações não afetem a qualidade das produções que estamos vivendo atualmente e o cinema encontre uma forma de crescer ainda mais.

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