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Opiniões

Baby Driver e a criatividade em Hollywood

31 de agosto de 2017, POR

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Na atual Hollywood muito se fala e muito se vê sobre blockbusters, reboots e continuações – de grandes e pequenas franquias. Todos esses filmes sendo calculados para o sucesso em bilheterias, obviamente, para trazer o maior lucro possível. Para que isso aconteça, tais longas seguem fórmulas desde sua pré-produção até sua pós-produção. Justamente por este motivo acabam sendo filmes fechados, trazendo para o diretor e toda sua equipe, pouca liberdade. Por conta deste uso – eu diria até abusivo – de fórmulas os filmes ficam cada vez mais repetitivos, tanto em roteiro quanto em atores. É momento em que podemos questionar: por onde andam os filmes diferentes? Por onde andam os filmes originais?

A música dita o ritmo do filme, nova moda hollywoodiana?

Para responder rapidamente a pergunta temos o recente Baby Driverdo diretor Edgar Wright, apresentando Ansel Elgort no papel principal. O longa soluciona as nossas expectativas e os desejos de ver novidades no cinema. Histórias novas, personagens novos para se relacionar e tramas diferentes respeitando a inteligência do espectador. É um filme projetado com liberdade criativa, uma obra de arte de Edgar Wrightque, inclusive, também foi roteirista do longa. Talvez, por isso, Edgar tenha em todo seu roteiro baseado nas músicas escolhidas a dedo que ditam a ação e o timing que o filme viria a ter.

Baby Driver é um filme destinado a um grande público e surpreendeu a todos por ser diferente e ter sido tão bom. Você senta na poltrona do cinema com uma animação e curiosidade que a tempos não fazia e é aliviante demais ver personagens diferentes. São os tipos de coisas que você só percebe quando sente falta, principalmente, quando é mostrado pra você. O nosso novo longa queridinho também nos agrada muito no quesito boas atuações, afinal conta com grandes atores como: Jon Bernthal que brilhou recentemente como Justiceiro; Kevin Spacey também tendo seu papel de maior reconhecimento em uma série House Of Cards; E até a cantora, que inclusive regravou uma música para o filme, Sky Ferreira.

Falando em regravar, como não podia ser diferente, a trilha sonora está simplesmente MARAVILHOSA. O fato do filmes todo girar em torno de suas músicas, sendo regravadas ou originais, faz com que elas sejam impecáveis e SEMPRE funcionem muito bem com todas as cenas. Com esse fator mostrando o cuidado de construção do filme, temos a prova de que o longa é um dos poucos exemplos onde o estúdio deixa o diretor livre, ganhando a famosa “carta branca” – realização para poucos – e todos saem beneficiados com isto: diretor, atores, e principalmente o público.

Podemos lembrar que música como parte participante do longa teve o seus primórdios com Guardiões da Galáxia, em 2014. Mas começou ditando ritmo das cenas de ação e a ganhar destaque nos trailers de Esquadrão Suicida, em 2016. Sendo essa uma técnica constantemente replicada em outros trailers após ele. Entretanto ter esse tipo de aplicação em cenas efetivamente presentes no filme,integrando o filme por completo, só foi visto em Baby Driver – e, aqui no QG do Super Nerd, estamos com uma aposta de que também acontecerá em Atômica.

Falando de filmes originais e associados a música, não posso deixar de citar o brilhante e sonhador La La Land e, por consequência, Whiplash. Os dois filmes, inclusive, possuem o mesmo diretor e roteirista – diretor E roteirista, reparem na coincidência com Baby Driver – Damien Chazelle. Whiplash veio primeiro em 2014, sendo um filme do gênero drama e do gênero popularmente chamado de “filmes para OSCAR”. Ao observar seu relacionamento com a música, o longa entra na mesma área que Baby Driver, ou seja, o filme todo gira em torno dela. A música é essencial para o desenrolar da história e o filme não existe sem ela. No entanto, ainda sim, o filme não é um musical.

Whiplash traz toda uma carga emocional forte, te fazendo passar por todos os tipos de sentimentos durante o filme. Sejam eles de raiva e agonia à extremo alívio e alegria. Também conta com uma fotografia divina e uma direção mais incrível ainda. No papel principal vemos Miles Teller e roubando a cena, como antagonista, J.K. Simmons. Os dois formam uma dupla de fazer qualquer diretor querer colocá-los juntos novamente em frente das câmeras. 

No entanto, apesar de ter sido um filmes extremamente original e bem feito, ao contrário de Baby Driver, Whiplash não foi um filme feito para o grande público. Muitos dizem que o motivo é, justamente, por ser um filme de OSCAR. Mas cá entre nós, o que impede um “filme para OSCAR” de ser um filme pra grande público? Nunca vou entender esse preconceito – mas isso é tema para outro post, rs. 

Chegando em La La Land, de 2016 e participante dos gêneros musical, comédia, drama, romance e, assim como Whiplash, do gênero “filme para OSCAR”. O longa possui todas as qualidades da obra anterior do diretor e ainda vai além. As referencias a clássica Hollywood, a Los Angeles e a mensagem do filme: qualquer um pode realizar seus sonhos por mais difícil que eles sejam. Persista, acredite em si mesmo e no seu potencial. Não tenha medo de arriscar e fazer diferente. Mas sempre tenha em mente que um grande sonho será carregado de grandes sacrifícios, então se prepare. Com essa mensagem, fizeram um combo tão bom que, mesmo sendo o famoso “filme para OSCAR” – vou reforçar bastante esse conceito, como forma crítica – chegou a agradar um grande público até mesmo fora do nicho de Musical, resultando em uma ótima surpresa e um grande sucesso.

Por ser um musical, ter uma trilha sonora impecável é parte da exigência básica do filme. No entanto, quero dar destaque para a música Another Day Of Sun, que não foi a escolhida para ser indicada ao OSCAR, mas é aquela que ganhou o OSCAR do meu coração – sendo o que mais importa afinal. É a música que introduz o filme, que conta com uma sequencia de tirar o folego de qualquer um que entenda de cinema, especialmente, daqueles fãs de musicais. A letra é, basicamente, um resumo da mensagem que o filme quer passar. Naquele momento, Damien está conversando com você e basicamente dizendo: “é cara, a vida é hard, a gente deixa várias pessoas pra trás e talvez até se sinta sozinho, mas mantenha em mente, tudo passa e amanhã sempre é um novo dia, um novo recomeço”. VOCÊ QUER ALGO MELHOR QUE ISSO @?

O ambiente espacial que sempre parece conquistar

Agora, entrando em um terreno mais espaçoso – desculpe gente, não há como não notar que o gênero de filmes que mais possuí produções originais são, justamente, os filmes que envolvem, de alguma forma, o espaço. Pode ser que seja apenas uma coincidência, porém acho difícil. Uma explicação plausível para isso acontecer, tal como a liberdade criativa rolar mais solta, pode ser o fato de que filmes sobre o espaço possuem muitas oportunidades. Desde de se basear na ciência e teorias atuais, até criar crenças e um mundo totalmente novo com suas próprias mitologias e ciência – os famosos sci-fi. Muitos dizem que o espaço é nossa nova era das “grandes navegações”. Então talvez seja bem simples: estamos curiosos sobre o universo e queremos que nossa imaginação seja preenchida. Afinal sempre existe uma criança dentro de cada um de nós.

Filmes incríveis – e outros que nem tanto – que são exemplos disso: Perdido em Marte, 2015; O Espaço Entre Nós, 2017; Interestellar, 2014; e Gravidade, 2013. Todos destinados a um grande público, sendo Interestellar o de maior sucesso disparado, agradando a maior parte dos espectadores. Também conseguindo o cargo de filme favorito na minha lista pessoal porque, meus amigos, que filme. Amando o espaço – e, principalmente, a Jessica Chastain – como eu amo, sou suspeita a falar, mas Interstellar ultrapassou barreiras do tempo e espaço. Assistam.

A criatividade não é limitada a poucos gêneros

Terror. O gênero que mais me decepcionou, em termos de originalidade, através dos últimos anos. Nem mesmo ele conseguiu fugir das milhares de continuações e reboots – fala sério hollywood, qualé a tua mermão, alguém tem que chegar na chincha, não dá mais pra ficar repetindo história cara, inventa alguma me*da aí, qualquer coisa, mas NÃO TA DANDO MAIS. Não que sejam de todos ruins – pelo amor dos Deuses, mas a discussão aqui é a originalidade. E obrigada Jordan por essa maravilha que é Corra! de 2017 Jordan Peele é o diretor e roteirista – sinta novamente a coincidência – deste milagre que caiu dos céus e apresentou para nós, fazendo um trabalho incrível no papel principal, Daniel Kaluuya.

Corra foi uma surpresa e um sucesso tão grande que teve um custo de apenas $4,5 milhões, enquanto arrecadou mais de $250 milhões mundialmente. Não foi um filme destinado ao grande público, mas o atingiu – a gente que tem prótese a gente sente o impacto – e o amamos demais. Um filme original, de história envolvente, de metáforas, com um tema pesado e NECESSÁRIO para render vários debates sobre o preconceito. Um filme inteligente mostrando à grande indústria que, ao contrário do que eles pensam, os espectadores não são burros. Gostamos de desafio, novidades e surpresas.

Ao falar de filmes originais recentes, existem algumas ressalvas que precisamos fazer porquê esses longas não poderiam mesmo deixar de ser citados, embora vários deles não tenham ido para as grandes telonas.

#1 Capitão Fantástico, 2016

Do diretor e roteirista Matt Ross. O longa chegou a ir para as grandes telas, mas sem muita distribuição ao grande público podendo ser considerado um filme de nicho, mais para o “indie”. Trata de uma história original, porém extremamente contemporânea, com problemas reais e questionamentos de hábitos óbvios que evitamos fazer. Capitão Fantástico lida com questões como família e valores, fazendo um ótimo papel em mostrar um filme que gera inúmeras reflexões e que te faz continuar lembrando dele durante um longo tempo após ter assistido.

#2 Sete Minutos para Meia-Noite, 2016

Do diretor J.A. Bayona é uma adaptação de um livro, dos gêneros drama e fantasia. Apesar de não mostrar uma história original, o diretor aposta em uma história diferente. Ele dispõe em tela a fantasia e os medos do garoto – vivido por Lewis MacDougall – de forma a te convencer e a te emocionar. Apesar de acompanharmos uma criança e seu medo mais profundo se manifestando fisicamente, o filme se leva totalmente a sério ao te apresentar estes fatos, fazendo dele um filme emocionante e imersivo.

#3 O Mínimo para Viver, 2017

Do diretor e roteirista Marti Noxon. O longa é original e distribuído pela plataforma de streaming que todos amamos Netflix – patrocina nois rs. Pelo fato do serviço estar entrando “agora” em produções de longas originais, em suas apostas podemos ver muito mais criatividade e liberdade. O que acaba sendo incrível para o público. Em O Mínimo para Viver temos uma obra sobre distúrbios alimentares e psicológicos. Um filme extremamente tocante, esperançoso que lhe traz alívios e tensões de maneira muito orgânica durante a trama, tal como desenvolvimento de todos os personagens. Com certeza um longa que entra para a lista de “aquele filme que todo mundo deveria ver” . Por este motivo espero que este modo de produção da plataforma tenha cada vez um maior alcance.

#4 Okja, 2017

Do diretor e roteirista Joon-ho Bong, Okja é um filme dos gêneros aventura, ação, drama e sci-fi. Eu posso afirmar sem dúvidas que este filme foi provavelmente a melhor produção original Netflix que eu vi até o momento. Ele entra para minha lista favorita de produções originais de todos os tempos. Um filme extremamente bem feito, lindo, que usa do sci-fi e de metáforas para abordar temas, mas não sendo hora nenhuma um filme de conscientização. É um filme correto consigo mesmo, com os seus personagens, com seu tema, funcionando para todos os públicos e se levando a sério. Okja te faz chorar inúmeras vezes e que definitivamente você leva consigo as lições que o filme apresenta, não sendo assim uma obra descartável. O longa, ainda, é um ótimo exempleo que me entristece não poder vê-lo na grande telona para o grande público. E como disse o próprio Edgar Wright em explicação de porquê não pretende trabalhar para os serviços de streaming: “eu sinto falta de ver estes filmes no cinema”.

O que esperar de Hollywood?

A criatividade é um fator fundamental para Hollywood. Com o tempo, as apostas em grandes produção tem deteriorado a liberdade criativa. Na maioria das vezes, inclusive, a liberdade criativa acaba se tornando apenas um fardo quando os produtores e executivos querem dar aquele “toque do hype”. As obras originais existem, mas costumam ser de pouco alcance para o grande público. As coisas precisam mudar, a Cidade da Fama precisa dar oportunidades a novas histórias e blockbusters que fujam do convencional – CK, vulgo O Super Nerd.

Com esse post notamos que existem algumas “coincidências” a serem exploradas. A maior de todas elas é o fato da grande maioria desses filmes originais – tanto nas telonas quanto fora delas – possuírem o direto também como roteirista. E quando não são o mesmo, o diretor está ao menos bem envolvido no roteiro – como você foi capaz de reparar durante o post. O motivo disso acontecer pode ser pelo fato de que quando o diretor produz o roteiro, ele já está imaginando como que cada cena vai acontecer, tal como quem serão os atores.

Dessa forma, tudo conversa perfeitamente. Afinal quem está fazendo toda a amarração da obra é a mesma pessoa. Outro motivo pode ser que o fato do estúdio estar “apostando” não exatamente no filme, mas sim na pessoa que o faz. Então, o estúdio escolhe a dedo quem vai ser “o eleito” e dá a ele esse poder de produzir o que quiser – e na maioria das vezes o que sempre sonhou. Afinal, que diretor nunca quis dirigir seu próprio roteiro? Talvez seja isso o que Hollywood realmente precisa, mais opostas e mais oportunidades de desafiar os gêneros como os filmes citados fizeram.

Por um lado, essa é uma rotina mixada – entre diretor e roteirista – não necessariamente deixa de ser uma fórmula, entretanto é uma combinação que funciona para esses filmes. Mas, agora é sua vez de contar para nós: o que está achando dos roteiros de Hollywood? Sente falta da era Tarantino com filmes originais incríveis todo ano? E os recentes citados aqui, amou ou odiou? E claro, quais são seus favoritos?! Deixe nos comentários e vamos interagir.

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Tali Beatriz

Tali Beatriz

Apaixonada por todas as formas de arte e entretenimento, amante da mente humana e sua capacidade criativa e cosplay da Mulher Maravilha.

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