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Opiniões

Até que ponto adaptações podem ter liberdade criativa?

7 de setembro de 2017, POR

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Recentemente a Netflix lançou o esperado longa do Death Note. A recepção não foi nada boa. Uma adaptação seguindo um rumo completamente original. O resultado não poderia ser diferente, alguns personagens acabaram por ficar completamente diferentes da proposta original. E isso nos faz pensar, até que ponto adaptações podem ter as suas liberdades criativas?

Adaptações são a mina de ouro Hollywoodiana. Todo filme é uma grande aposta e o objetivo é encontrar historiais com o menor risco possível de não funcionar. Não existe uma matemática exata aqui, é mais sobre o feeling do produtor e um tiro no escuro procurando acertar o máximo de pessoas possíveis. A base, entretanto, é que ao menos o estúdio será capaz de atrair, no mínimo, os fãs do material adaptado.

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Hollywood

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No geral, Hollywood não sabe o que quer. Quer adaptar, mas exige mudanças criativas. Não quer originalidade, pois criatividade é um risco.

Porém, por algum motivo que sabe-se lá qual é, os resultados nem sempre são favoráveis. Cinema é uma arte subjetiva, esse é um fato que precisamos aceitar como preceito base de qualquer obra. Com isso, sempre haverão mudanças. Um filme costuma passar pela mão de inúmeras pessoas, desde executivos à equipe de produção – já viu os créditos, não é mesmo? Esse processo sempre agrega alguma coisa para obra – até mesmo a um roteiro que chega a ser alterado dezenas de vezes, até mesmo durante a própria gravação. A gestão de uma equipe tão grande também é um dos desafios que, quando mal planejado, pode contribuir para desestabilizar toda uma produção.

Resumindo: fazer um filme não é nada fácil. Você envolve dinheiro, pressão, pessoas e ainda precisa entregar algo que seja uma garantia mínima de sucesso para o estúdio – isso quando o estúdio se importa com isso, existem casos, por exemplo, onde toda a produção é realmente livre. Uma das melhores coisas sobre adaptar histórias é que reduz muitos esforços e recursos, em todos os sentidos. A história, a essência e até mesmo parte da representatividade visual, já estão ali prontos para serem lapidados. Então, para nós, como espectadores – geralmente fãs do que está sendo adaptado – é tudo muito simples: faz a mesma história e é garantia de sucesso.

Quem dera fosse assim jovens leitores. Imagine você, como roteirista ou diretor de um longa e com a oportunidade de pegar uma história já pronta. O que você faria? Bem, a maioria das pessoas com aquele feeling artístico diria: “com certeza, daria a história meu toque pessoal”. Não adianta. Grande parte das pessoas no ramo do entretenimento querem deixar sua marca de alguma forma – a não ser que elas sejam forçadas a fazer algo para o qual não estão nem aí. Então é aqui, bem nesse momento, que a liberdade criativa começa a tomar forma. Cada roteirista, cada diretor, cada atriz e ator, vai projetar a sua própria visão do material que lhes foi entregue.

De forma alguma isso é um ponto negativo para a trama. Podem sim existir casos onde as adaptações realmente ficam melhores – talvez, futuramente, um artigo com uma lista das adaptações, melhores que o material original, seria bem interessante. Costumam ser alguns casos exclusivos onde, boa parte da equipe, acabam sendo as pessoas certas. Pessoas realmente apaixonadas por aquela história e que querem respeitar toda a essência, ao mesmo tempo que dão o seu toque especial – Zack Snyder é um exemplo, o fã absoluto produzindo materiais dos quais ele é realmente fã. Se esse toque será bom ou não para os fãs, daí é outra história… mas a essência está ali.

Aqui chegamos a um ponto interessante: a essência. Tudo tem a sua essência. Você, eu, personagens e histórias. Todos foram criados com as suas particularidades, aquele detalhe que os tornam únicos – a não ser que sejam padrõezinhos. Desde que isso seja respeitado é muito, MUITO, difícil dar errado. E esse é o limite da liberdade criativa, talvez. Projete a sua história, brinque com as possibilidades, mas mantenha a alma dos personagens. As adaptações se tornam um risco quando isso não acontece. Porque, além de destruir as expectativas dos fãs, muito provavelmente é outra história com outro impacto, só de mesmo nome. E isso é bom?

O grande problema de Hollywood está no medo e nas necessidades. O medo de apostar em histórias que acreditam ser um fracasso – e quem tanto se concentra no medo, os torna reais. E as necessidades exageradas de quem não realmente entende sobre o que está sendo criado – como é o caso de acionistas, executivos ou até mesmo produtores, que fazem pedidos surreais para que os diretores incluam nas produções. A cidade da fama é um lugar bem louco nas exigências.

Vez ou outra, tudo está certo. Não há a pressão do sucesso e há fãs envolvidos, como foi o caso de Death Note na Netflix, então o que houve de errado? Sabe quando você é fã demais e tem sua própria ideia de realidade para os personagens? Pois bem, é provavelmente o que aconteceu – e o que acontece com Snyder, por exemplo. A equipe é tão fã que não consegue olhar de fora e passa a querer projetar a sua realidade na história. Daí, o resultado vai depender do quão bem o público aceita isso. De todo jeito, os riscos estão em toda parte.

Reforço: fazer um filme não é nada fácil. É por esse motivo que algumas coisas podem até ser relevadas – como uma história original a partir de uma adaptação – e outras são apenas massacres ao material original – como personagens com as suas verdadeiras essências destruídas. Sem falar no próprio desenvolvimento do longa, que geralmente tem a necessidade de adaptar um material gigante e quer resolver isso em um único filme de 1 hora 40 minutos a 2 horas – nem toda equipe de produção é habilidosa o suficiente para isso.

Existe ainda outro ponto, mas esse vai ficar para outro artigo: as mudanças éticas e fisiológicas dos personagens para atender outras necessidades. Mantendo a essência, seria realmente um problema a liberdade criativa na estética visual de uma trama? Bem, um dia desses a Tali conversa com vocês sobre isso, tal como a representatividade no cinema. No todo, a liberdade criativa plena, advinda de uma adaptação, pode ser uma bomba nas mãos erradas. Encerramos essa reflexão por aqui. Você concorda com as minhas visões? Deixe nos comentários e vamos interagir.

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