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Por onde anda a verdadeira paixão por games?

16 de novembro de 2015, POR

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Atualmente todo e qualquer assunto se transforma em rivalidade, polarizando cada lado em cantos separados. No mundo dos games, sem dúvidas, o que mais existe é um divisor de águas ocasionados pelos próprios gamers que, por algum motivo desconhecido, priorizam rótulos acima da experiência. O problema em si não é ser o fã absoluto de uma marca em específico, mas a rixa criada entre os fãs de diferentes marcas que, no fundo, não leva a lugar algum.

Recentemente, ganhei da loja Geek10 uma bela caneca que não apenas retrata o amor, mas também retrata a paixão gamer – inclusive, o pessoal da loja forneceu um cupom com desconto, para cada um de vocês leitores, de 5% em qualquer compra até 31 de dezembro de 2015, basta digitar supernerd por lá, fica a dica. E a caneca me fez refletir o motivo pelo qual a paixão gamer de hoje é tão diferente da paixão gamer de tempos atrás. Enquanto antigamente a paixão era baseada em experiência sem rótulos, hoje a paixão é baseada em comparações sem sentido.

É “PS4 vs. XONE”, “Consoles vs. PCs”, “LoL vs Dota”, “Battlefield vs Call of Duty”, “RPG vs Plataforma”, “Mario vs Sonic” e enésimas outras rivalidades em campo. É quando me pergunto: Por que tudo isso? É mesmo necessário? Procurei investigar o motivo pelo qual isso acontece, mas para tanto foi preciso ir um pouco mais além e voltar aos primórdios da origem dos videogames e, vou dizer, foi um bem complicado entender isso e colocar em palavras nessa matéria. Se você já estava por este planeta antes dos anos 90, então já sabe o quanto a realidade gamer era diferente. Do contrário, verá agora o quanto não só era diferente, mas era ainda melhor da qual vivemos hoje.

O primeiro videogame do mundo foi o Magnavox Odyssey. Aconteceu no ano de 1972. O primeiro jogo clássico para o console se assimilava ao tênis de mesa. Onde cada jogador controlava sua raquete e impedia que a bolinha, na época mais para quadradinho, ultrapassasse as raquetes – mas ainda não era o Pong. Obviamente, o aparelho foi uma espécie de “explosão de cabeças” para as pessoas da época. Pouco tempo depois vieram os arcades e uma chuva de novos consoles para entrar no mercado. Atari, NES, Master System, Super Nintendo e por aí vai.

Quem teve um Atari na década de 80 sabe qual era a sensação. Era inexplicável. Você sabia que estava diante desenhos grotescos formados por vários quadradinhos nítidos, mas ainda sim conseguia imaginar um mundo completamente diferente na sua cabeça. Um ótimo exemplo era o primeiro jogo do Homem-Aranha para Atari. Você não via de fato o Homem-Aranha nos gráficos limitados, mas a sua imaginação tornava aquele jogo o mais real e divertido possível. Isso mexia com as suas emoções.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Por mais que apenas pareça um jogo esquisito e sem graça, para aqueles que jogaram esse jogo na época fazia a diferença. Assim como vários e vários outros títulos famosos do Atari que, mesmos simples, alimentavam a imaginação.

® Relate qualquer abuso de Uso Indevido de Imagem clicando aqui.

Por mais que apenas pareça um jogo esquisito e sem graça, para aqueles que jogaram esse jogo na época fazia a diferença. Assim como vários e vários outros títulos famosos do Atari que, mesmo simples, alimentavam a imaginação.

Aquela era uma época na qual você não se importava com o console ou necessariamente com o que estava jogando. Você apenas se preocupava em conseguir o máximo de cartuchos possíveis para jogar o máximo de jogos possíveis e curtir tudo isso com insanidade. Você até gostava de uns jogos mais do que outros, mas a rivalidade por alguém “não gostar de Sonic”, por exemplo, não era algo que existia como existe hoje.

© Material de divulgação passível de direitos autorais.

Na imagem da esquerda como o jogo realmente era, na imagem da direita como ele era em sua imaginação.

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Na imagem da esquerda como o jogo realmente era, na imagem da direita como ele era em sua imaginação.

Sendo sincero, naquela época tudo era uma grande surpresa. Você não sabia simplesmente que o “Super Nintendo foi lançado no mercado” ou que o “Super Mario é o jogo mais jogado de todos os tempos”. Não havia internet como hoje e a TV era bem escassa quando se tratava desse universo. Apenas existiam algumas revistinhas específicas sobre o mundo dos games que poucos podiam comprar e somente se os pais permitissem. Por este motivo, quando alguém da vizinhança aparecia do nada com um console novo era uma loucura. Você fazia de tudo para tentar apreciar o quanto antes aquela adorada nova obra de arte do mundo dos games, não tendo tempo para comparações.

Eu era uma criança da grande São Paulo, ser uma criança da grande São Paulo era um tanto complicado. Dependendo do lugar onde você morava, no meu caso uma avenida movimentada, era complicado conseguir ter amiguinhos por perto ou sempre te visitando. O único contato possível era mesmo na escola e os momentos que tínhamos juntos por lá. Lembro-me bem que, na pré-escola em que estudei, toda sexta era o dia do videogame – incrível, não!? Foi exatamente lá que foi apresentado a esse novo universo, assim como vários de meus colegas.

O console era Master System e o jogo Sonic, eu simplesmente adorava que chegasse minha vez para jogar com o “incrível bichinho azul que corre bastante para catar ‘rosquinhas'” – basicamente o que o jogo era na minha mentalidade de criança. Logo durante essa descoberta, como toda criança, fiquei simplesmente extasiado. Era preciso conhecer mais sobre esse universo, sentia essa necessidade correndo por minhas veias. Foi quando começou a minha paixão gamer. Pouco tempo depois conheci o NES e o querido encanador Mario. Em todo esse percurso de conhecimento, minha imaginação criou uma experiência tão incrível com aqueles jogos pixelados que até hoje eles são capazes de mexer com minhas emoções.

O melhor sobre tudo isso é que eu não me importava se era Sega ou Nintendo, eu me importava apenas em jogar os jogos que me deixavam simplesmente fascinados. Eu amava Sonic, eu amava Mario, eu amava Donkey Kong, mas, por exemplo, eu não curtia tanto Zelda e isso não era o que importava. Era saudável e possível sair experimentando cada novo jogo que ia sendo apresentado independente da “marca ou console”. Obviamente, nessa jornada no mundo dos games, eu sabia identificar o que era um “jogo ruim” ou um “jogo bom” com base em minha percepção e opinião, chegando a defender essa opinião, mas não existia um “console ruim” apenas “outro console com jogos que PRECISAVA jogar” ou “jogos que eu PRECISAVA ter apenas no computador”.

Muitos viveram essa experiência e é uma experiência complicada de descrever, foi o início da verdadeira paixão gamer de muitos, pois ela está totalmente enraizada em nossas emoções. Você tinha mais apreço pelos jogos sem ver rótulos, do que uma preocupação intrínseca pelos consoles. Nesse momento e para este artigo, precisei entender um pouco mais sobre essa paixão, resolvendo a grande questão: por que a paixão de ontem é diferente da paixão de hoje? É uma pergunta um tanto complicado e nada fácil de ser resolvida. Antes precisamos entender: o que é a paixão?

A paixão é aplicada para descrever um sentimento muito forte em relação a qualquer tipo de coisa. Sendo uma emoção intensa, convincente, baseada em um entusiasmo ou desejo também intenso sob determinada coisa.

Se tratando de emoções intensas, quanto mais escassas as coisas são para suprir tais emoções, com mais intensidade a paixão é alimentada. Era esse um dos motivos pelos quais, em tempos antigos, os jogos tinham mais valor do que os consoles. Jogos eram escassos, era preciso ralar para conseguir ter acesso a algum jogo mesmo que você já tivesse o console. O desespero em busca de um Super Mario World que só seria acessível em um Super Nintendo, consumia mais e mais a paixão. Mas também havia a imensa vontade de começar a jogar o novo Sonic que só seria acessível em um console Sega. Não havia a necessidade de rivalizar quem era o melhor ou o pior, havia apenas a enorme vontade de jogar tudo aquilo no mesmo instante.

Os anos se passaram e foi quando o problema começou, com consoles cada vez mais parecidos, porém trilhando caminhos separados, a exigência aumentou e os mesmos títulos de jogos começaram a ser lançados em formatos multiplataformas. O fato do mesmo jogo estar em plataformas diferentes levou, inevitavelmente, a comparações. Agora, chegando ao nível extremista para alguns como ponto crucial durante a escolha do seu console favorito ou sua raiz no PC – lembrando que nada em extremo é bom.

Sabemos que a evolução, assim como a atual geração de consoles, trouxe a grande aproximação dos gráficos dos games ao limite da perfeição. Nesse ponto os games evoluíram muito, eles conseguem ser uma ótima fonte de entretenimento e fuga da rotina para criar novas experiências que mexem com nossas sensações, de quebra apresentando um visual deslumbrante que reflete ao mais próximo do divertido ou do real. Mas, por algum motivo, as pessoas deixaram de ver os games e passaram a ver os consoles como os grandes Reis da história.

Tomb Raider, por exemplo, é um jogo que tem para PC, tem para XBOX, tem para Playstation, exatamente o mesmo jogo com a mesma história. Quem se importa com o resto? E, para aqueles que se importam, porque? É aqui que as discussões começam. As pessoas simplesmente ignoram o jogo e a experiência que ele proporciona durante aquele momento que você está jogando para criar comparações desnecessárias do mesmo jogo em outras plataformas. O que era para ser algo divertido e empolgante se transforma em um campo de guerra.

Por que o nível de detalhes gráficos em um dispositivo importa tanto? Ou, por que a rivalidade um jogo com a proposta parecida a outro jogo importa tanto? Os gamers estão exigentes, eles querem o melhor com base em suas percepções do mundo, mas falta hoje aquela mesma sensação de estar ali pelos jogos independente dos rótulos. Aquela paixão gamer pelos jogos que estão sendo lançado, sem a necessidade de comparação e com o aproveitamento do melhor de todos os títulos, já é escassa. Nesse ambiente, é completamente equivocado, chegando ao absurdo, quando certos gamers ainda fazerem questão de levantar sua bandeira e espetar suas espadas contra todos em oposição as suas ideias.

Na grande maioria, hoje não é mais “você tem o jogo tal, PRECISAMOS jogar” e sim “você tem XONE? Meu PS4 é melhor seu loser”. É a tipica paixão extremista que costuma me dar ânsia e repulsão. Seriam essas pessoas mesmos gamers ou apenas fanboys babacas? Parece que nos tempos modernos, os gamers não sabem mais aproveitar o mundo dos games ou criticar e reconhecer o que é necessário sobre todos os materiais disponíveis. É perfeitamente compreensível que cada um tenha suas preferências, mas é realmente necessário transformar isso em “mimimi” raivoso particular? Está mais do que na hora de aprender a apreciar os jogos, compartilhar experiências em diferentes consoles e emergir no mundo onde a comparação não é mais fundamental do que a experiência e sensações que estão em seu coração, se as pessoas discordam, deixe-as discordar – eu sei, por exemplo, que por conta do ‘mimimi’ muito fanboy de PS joga escondido com o Kinect no XBOX. Eu tenho a verdadeira paixão gamer, mas e você? Fica aqui a reflexão.

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