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Cinema

A Magia foi ou não uma boa vilã para Esquadrão Suicida?

10 de agosto de 2016, POR

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Antes de qualquer coisa, preciso avisar que este artigo conterá spoilers do filme Esquadrão Suicida. Para qualificar se um vilão, ou vilã, é ou não bom o suficiente para uma história, os seus objetivos precisam ser sustentados por suas motivações, tornando-o sólido no que pretende fazer. Acompanhe agora uma reflexão sobre Magia, a vilã de Esquadrão Suicida, e saiba antecipadamente que ela não foi boa, mas também não foi tão ruim assim.

Não é nenhuma novidade que faltam vilões bem desenvolvidos para os filmes de heróis. Com a exceção de poucos, grande parte da galeria de vilões apresentados em todos os filmes que vem sendo lançados, parecem ser esquecíveis, repetitivos e simplórios o suficiente para não gerar nenhuma sensação de ameaça real para o espectador. Porém, desenvolver um vilão não é de todo fácil e, para obter sucesso, costuma existir dois caminhos possíveis: o vilão por si só é tão misterioso e sombrio que seus atos falam mais alto do que a necessidade de entendê-lo; e, no outro caso, o vilão tem uma “alma”, uma história desenvolvida para sustentar seus desejos, ambições, motivações e objetivos.

Talvez, por beirar ao funcional e simples, David Ayer não trouxe para Magia nenhum dos caminhos possíveis. A personagem não consegue ser misteriosa e sombria o suficiente, tal como não é desenvolvida a ponto de suas motivações serem construídas e seus objetivos se tornarem sólidos e justificáveis. Veja bem, enquanto para nós possa ser incompreensível, para um vilão existe um porquê de fazer o que está constantemente buscando fazer. Lembre-se sempre que para cada objetivo, existe por trás uma motivação.

As motivações de Magia no filme

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O visual de Magia convence, o gestual funciona, mas o desenvolvimento falha. Embora, ainda considere que as críticas são bem exageradas.

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O visual de Magia convence, o gestual funciona, mas o desenvolvimento falha. Embora, ainda considere que as críticas são bem exageradas.

No filme a arqueóloga June Moone, interpretada por Cara Delevingne, encontra uma caverna há muito abandonada e em sua exploração se depara com um artefato onde estava guardada a alma de Magia. Como era de se esperar, June abre o artefato e a partir desse momento tornasse possuída. Então, ela fica inconsciente e a caverna começa a ser explorada com a ambição de entender o que se passou. Nesse ponto, o enredo até convence do motivo pelo qual Magia não conseguiu pegar o seu coração antes.

Com a exploração, o coração de Magia, tal como o artefato com a alma de seu irmão são encontrados, tais objetos tão importantes ficam sob os cuidados de Amanda Waller, interpretada por Viola Davis. Até aqui, o filme caminhava bem, não precisávamos entender a Magia apenas precisávamos saber que Magia queria obter seu coração de volta, a qualquer custo, pois sem ele estaria presa sob constante controle. O longa avança e nos deparamos com Magia prestes a realizar seu objetivo: capturar o coração. Mas, por um desvio, ela encontra o seu irmão.

Agora, aquele objetivo que vinha sendo construído se perde. Magia simplesmente manisfesta seu interesse em dominar, depois destruir completamente o mundo, justificando suas intenções em apenas um diálogo. Então solicita a seu irmão que prepare um exército para tal destruição e ela dará um jeito de recuperar seu coração. Aqui, toda a construção da personagem começa a desmoronar. Do nada, ela simplesmente visa destruir o mundo, sem que isso seja desenvolvido, e aquilo que ela mais queria fica em segundo plano.

Daí pra frente a Magia consegue fugir, Waller tenta destroçar o coração, quando o irmão de Magia a salva restituindo a força para ela, momento em que ela para de priorizar o que tanto buscava para construir sua arma ameaçadora de destruir a Terra. O filme até tenta convencer com um diálogo aqui e outro ali, de que Magia está fazendo tudo isso para ser admirada novamente como uma Deusa na Terra, mas não é suficiente para tanto. No fim, o longa acaba provando que Magia é uma vilã medíocre, mas que ainda consegue ser uma ameaça.

Então, qual seria a solução?

Magia já era uma personagem misteriosa logo nos primeiros minutos e em uma unica cena o objetivo ficou bem claro ao apontar a necessidade de recuperar seu coração. Nesse momento, existiam alguns argumentos para criar uma motivação: Magia não conseguiria se aproximar tão fácil do coração e ela havia encontrado o irmão. Vamos imaginar que o Super Nerd, vulgo eu, estivesse na direção do longa e veremos quais seriam as minhas soluções.

Obviamente que, ao encontrar seu irmão, Magia perderia completamente o foco e de fato tentaria libertá-lo. Mas, nesse processo, transformaria as coisas em algo um tanto quanto diferente e mais objetivas. Magia convenceria o irmão a criar um exercito que fosse capaz de auxiliar ela a recuperar seu bem mais precioso, enquanto ela tentava encontrar Waller. É o momento em que ele começa destruir a cidade e possuir as pessoas, então uma tropa é enviada com June Moore para o local. O mesmo acontece, Magia assume o controle, arma a bomba e foge.

Com sua fuga, Waller começa a dilacerar o coração. Magia, buscando refúgio com seu irmão, fica parcialmente recuperada, momento em que ela percebe o quanto é frágil sem o seu coração. Aqui ela define de vez seu objetivo: começar a caçar Waller pela cidade com seu exército. Até poderia expandir a trama nesse momento e fazer com que Magia encontrasse Waller, as duas ficassem cara a cara dentro da sala de operações, sem dizer nada, uma encarando a outra por alguns minutos. Magia não seria capaz de se aproximar e Waller não seria capaz de eliminá-la devido as suas ambições.

Sabendo onde Waller se encontra, Magia comunica-se com todo o seu exército para que eles a capturem. Eis o momento em que o Esquadrão Suicida entra em ação em uma missão de resgate secreta. Waller está sob constante ameaça, mas consegue ser resgatada. Momento em que Magia fica furiosa e começa a agir por conta própria com todo o seu poder. Eis então que o Coringa atrapalha toda a missão de resgate e Waller consegue ser capturada pelo exército.

Até acho interessante que a Magia retomasse a posse de seu coração, para concluir seu objetivo isso precisaria acontecer, mas o resultado seria outro, com seu coração em um lugar seguro, ela teria a necessidade de provar a Waller que ela é a Deusa, que ela está no controle agora. Então, começaria a destruir tudo que, para Waller, é importante e continuaria até que Waller se curvasse diante ela. Seria como uma forma de vingança, tal como para saciar a vontade de ver Waller ajoelhada diante os seus pés – me diga se Magia não almejaria isso com toda vontade? Uma mulher, como Waller, que não se curva a ninguém, se curvar a ela seria tudo que ela precisa, pois se isso acontecesse seria como se todo o mundo também fizesse.

Obviamente, seria o momento em que o Esquadrão chegaria para intervir e a luta final iria acontecer, talvez exatamente da mesma forma como aconteceu. Ao final, ao menos, Magia teria tido os seus motivos, isso teria ficado claro na trama, a ameaça se concentraria em torno de Waller e não no mundo, deixando-a um pouco mais pé no chão. Se funcionaria nas telas do cinema? Nunca saberemos, pois eu não fui o responsável pelo longa.

Mas e você, gostou da minha proposta? Tem algo a dizer sobre Magia? Deixe nos comentários!

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  • Kvothe

    Porra, massa! Interessante. O único “buraco” que encontro é que não tenho dúvidas de que Amanda Waller destroçaria a Magia se estivesse em perigo e tivesse a chance, como ela demonstrou que faria com qualquer um no Esquadrão. Mas é uma construção certamente mais bem trabalhada do que foi. Ela tem um visual INCRÍVEL que foi meio que mal aproveitado, e acho que essa versão poderia evidenciar isso, quanto ao fato de ser uma deusa, misticamente poderosa e tal… Acho que nem precisaria mudar o visual, somente a postura dela.

  • Luiz Vitor

    Concordo plenamente. A motivação dos vilões é algo que atrapalha muito os filmes num todo. Temos o exemplo de Guerrra Civil e BvS esse ano. Motivação do Zemo era a mais clichê possível e a do Lex, apesar de não-clichê, também não convence. E mesmo com todos esses fatos que relatou, gostei da Magia como personagem, mesmo preferindo que ela fizesse realmente parte do Esquadrão aqui.

    Obs: o visual “pretão básico” dela é bem melhor que o Deusa-estilizado lá huehue

  • Acho que a Waller de fato eliminaria qualquer um, mas quando penso em Magia, acredito que a Waller veja mais vantagens nela, como sua arma preciosa. Ela tentaria dilacerar o coração de Magia ao máximo para tentar obrigá-la a estar em seu comando, mas não mataria por causa de sua ambição. Do contrário, ela teria feito isso desde o princípio quando Magia fugiu e começou a destruir a cidade, hahaha. Ah e realmente o visual dela ficou INCRÍVEL mesmo! Souberam como apresentá-la visualmente e funciona.

  • Sim! Acho que o cinema se lembra dos heróis, mas esquece dos vilões e um vilão é tudo. A Magia foi uma boa personagem, mas faltou aquele cuidado com ela. Eu até que gostei do visual dela no filme, acho que se fosse com a aparência Bruxa estilo não ia condizer muito com o filme, hahahaha

  • Luiz Vitor

    Sobre o visual dela, eu não falei do tipo a Bruxa dos quadrinhos. Como o Kvothe abaixo falou, é incrível o visual, porém quis dizer que não era necessário trocar na transformação, pois o figurino inicial já estava extremamente bonito e condizente kkk

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