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Cinema

É o momento ideal para Guerra Civil Marvel nos cinemas?

30 de novembro de 2015, POR

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Adaptações são adaptações! Ao mover histórias entre as diferentes mídias, algumas transformações são necessárias para que o material se adeque as características intrínsecas de cada meio de comunicação. Entretanto, durante o processo de adaptar uma obra, os detalhes e a essencialidade da trama precisam ser mantidos, do contrário o resultado está mais para uma obra inspirada do que uma obra adaptada. Eis que Capitão América: Guerra Civil aparece entre o árduo movimento de transformação das páginas dos quadrinhos para os frames dos cinemas.

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Capitão América: Guerra Civil vai travar uma batalha entre os Vingadores, mas por que precisava acontecer dentro do filme do Capitão e por que parece estar tão espremida dentro do enorme Universo Cinematográfico da Marvel?

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Capitão América: Guerra Civil vai travar uma batalha entre os Vingadores, mas por que precisava acontecer dentro do filme do Capitão e por que a trama parece estar tão espremida dentro do enorme Universo Cinematográfico da Marvel?

Durante todos os seus filmes, a Marvel Studios vem tecendo a grande trama por trás das tramas: as Jóias do Infinito e Thanos. Aos poucos, enquanto os filmes são lançados, é notável a forma como sutilmente os enredos sobem uma escada rumo às Guerras Infinitas prestes a acontecer no final da Fase 3 do MCU, com Thanos cada vez mais próximo e as Jóias cada vez mais perto de serem unificadas na Manopla do Infinito. Se fosse para dar um prêmio a Marvel Studios, seria pela construção de um grande arco que vem unindo os filmes, uns aos outros, para culminar ao encontro do grande vilão da Galáxia.

Thanos teve excelentes arcos dentro dos quadrinhos e encerrar uma grande leva de filmes com o personagem é fundamental para fechar com chave de ouro o Universo Cinematográfico que vem sendo criado, iniciando assim uma nova fase. Porém, durante todo o processo de construção desse tal Universo, eis que há uma peça que não se encaixa, uma peça muito saborosa, mas que parece não encontrar o melhor lugar e, talvez até, a melhor hora para se desenvolver: a Guerra Civil. Até o presente momento, a Marvel Studios se preocupou em exibição de personagens, desenvolvimento de tramas individuais e o “passo a passo” até Thanos, se esquecendo de desenvolver a faceta da sociedade além dos Vingadores. Até mesmo a oportunidade de começar a construir pilares para a Guerra Civil, seja em Vingadores: A Era de Ultron ou Homem-Formiga, foi ignorada.

Todo mundo sabe o que qualifica uma Guerra, correto? Não importa o tamanho dos lados, a Guerra surge de um confronto onde existem interesses entre dois ou mais grupos de indivíduos, que podem ou não estar organizados, com o objetivo de derrotar o adversário. No aspecto base da Guerra, o terceiro filme do Capitão América funciona bem e cumpre o seu trabalho. A justificativa de que “há poucos heróis” não funciona, a não ser quando os poucos heróis que têm, não justificam o início de uma Guerra. Mas, Capitão América não vende uma Guerra, o enredo vende a Guerra Civil, homônimo da saga que aconteceu em 2006/2007 nos quadrinhos. Então, fica a grande pergunta: você sabe o que qualifica uma Guerra Civil?

No geral, a Guerra Civil é uma disputa entre grupos de um mesmo país. Ela acontece em âmbitos internos de uma nação e tem o objetivo de um dos lados assumirem o controle do país e determinada região ou, ainda, se estendendo a uma tentativa de mudar as políticas do governo. Porém, mesmo com esses detalhes descritos em evidência, existem três características fundamentais que qualificam um confronto como “Guerra Civil”: é preciso ser uma Guerra obviamente, com existência de luta armada; deve haver o caráter “civil”, ou seja, é preciso existir uma forte participação popular e as forças armadas do país não podem estar envolvidas; por fim, o objetivo do conflito é, sem exceção, a aquisição, manutenção ou exercício da autoridade nacional. Nos quadrinhos, a Guerra Civil da Marvel acontece, em resumo, da seguinte forma:

Os sucessivos eventos de desastres começam a ganhar discussões alarmantes dentro da sociedade; os norte-americanos veem os Vingadores e todos com habilidades fora do convencional como uma ameaça e, após uma insatisfação que vinha se arrastando, decidem que esses tais “sobre-humanos” precisam prestar contas ao governo; o governo, em uma tentativa de aliviar a pressão e reconhecer a ameaça, cria uma lei para registro de super-heróis com o objetivo de legalizar a profissão “super-herói” necessitando a prestação de contas; a ideia de registro, divide os heróis do universo Marvel; Capitão América defende que o registro fere os direitos civis dos heróis, que perderão a proteção existente pela identidade secreta, e o Homem de Ferro acredita que é inevitável lutar contra essa lei. Eis que o conflito começa entre os grupos de heróis. No final das contas, o motivador foi em nível civil e cada grupo lutou por seus ideais de forma independente com o governo apenas observando a “cagada” que tinha feito ao propor a lei.

Então vamos lá! Nos quadrinhos, a Guerra Civil da Marvel: representa uma guerra; possuí o caráter civil através da manifestação e pressão popular que já existia dentro do universo dos quadrinhos, dividindo a sociedade no apoio entre os heróis e não havendo envolvimento direto do governo na história, a não ser pela proposta da lei vital para culminar a guerra; por fim, o objetivo está associado as mudanças na política do governo. Três pontos claros e bem desenvolvidos na saga, trazendo o universo ficcional para o mundo real repleto de consequências. Porém, nos cinemas o quadro é diferente. Não existe sociedade. E, antes de começar o julgamento sobre este artigo, sugiro a você que leia atentamente os próximos parágrafos até o fim.

O Universo Cinematográfico da Marvel

Todos os filmes do Universo Marvel até o momento foram sobre os seus protagonistas, com nenhum representante direto da sociedade normal ou demonstração dos reflexos dentro da sociedade. Tragédias e mais tragédias aconteceram nos terceiros atos do filme, com batalhas reduzidas a quarteirões e minutos depois tudo volta ao normal, ou seja, tudo está bem. A sociedade nunca foi transparente no MCU e não que isso seja uma desvantagem, apenas deixa as histórias rasas com finais felizes e motivacionais para os protagonistas. As poucas vezes que vimos a reação da população aconteceu nos filmes dos Vingadores. No primeiro, após a batalha de Nova York, vários e vários comentários admirando os atos dos Vingadores; e, no segundo, a população atirando algumas pedras sobre as armaduras do Stark e apenas apresentando a citação da vontade de aprisionar o Hulk. Nunca houve um demonstrativo forte e significativo de como a sociedade estava lidando com a aparição de “sobre-humanos” – esqueça as séries – e olha que já lançaram mais de 10 histórias ao longo desses anos – para um emaranhado de filmes cuja a proposta é um universo compartilhado é uma falha.

Indo agora rumo aos protagonistas da Guerra: Steve Rogers e Tony Stark. Steve Rogers, em todas suas aparições, foi retratado como o grande herói que luta por valores sólidos, consistentes e moralmente corretos. Rogers sempre foi sinônimo de perfeição e também sempre foi demonstrado como o único verdadeiro herói quando em equipe, ele sempre está lá para salvar a todos sem ver a quem. Da forma como ele vem sendo construído, corrompê-lo é um risco, o que vai garantir que ele seja representado como o mais certo da história. Do outro lado temos Tony Stark, o personagem que sempre adotou uma postura rebelde em seus filmes, afinal ele é o Homem de Ferro, faz o que quer e o governo que aceite isso – ideia que ficou bem clara principalmente em seu segundo filme solo. Onde agora, depois de quase destruir o mundo com Ultron, decide ir para o lado do governo por viver em constante culpa consigo mesmo. Ambos com motivadores legais para adotarem um posicionamento dentro da Guerra, mas nenhum inserido dentro de um contexto social. Volto a levantar o papel “civil” que uma Guerra Civil precisa ter. Até agora, não foi mostrado nitidamente como as pessoas reagiram a tudo isso, pois não houve tempo para Marvel desenvolver essa trama paralela.

Diante todo esse contexto, olhando por cima, a Guerra Civil é um enredo que não se encaixa, pelo menos por agora e pelo menos da forma como deveria se encaixar. É apressar demais um enredo que precisaria esperar o Universo Marvel evoluir para além de filmes com teor pipoca, excluso Capitão América: O Soldado Invernal. Para um estúdio que sempre esteve preocupado em tecer cuidadosamente a trama com Thanos, é como escolher de olhos vendados uma saga dos quadrinhos e jogá-la em qualquer filme que esteja mais próximo do lançamento. Isso obviamente não é um problema, mas atuar dessa forma compromete o potencial que a Guerra Civil teria para o Universo Cinematográfico da Marvel e também torna necessário que você esqueça toda a Guerra Civil dos quadrinhos assim como o impacto que ela teve para as publicações posteriores no universo Marvel dos quadrinhos, algo que a torna fascinante.

Capitão América: Guerra Civil não é Vingadores!

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A preocupação é que a densidade da trama seja ofuscada por desenvolvimentos pessoais, como a construção de Bucky, e tendenciosa por se alocar dentro de um filme solo.

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A preocupação é que a densidade da trama seja ofuscada por desenvolvimentos pessoais, como a construção de Bucky, e tendenciosa por se alocar dentro de um filme solo.

Nas palavras dos Irmãos Russo “sentimos que deveríamos fazer uma linha que destacasse que este é Capitão América 3 e não Vingadores 2.5”. É importante esse destaque, afinal não é Homem de Ferro: Guerra Civil, não é Vingadores: Guerra Civil, é Capitão América: Guerra Civil! E se tratando do terceiro filme do Capitão, não há como fugir do Bucky. O Soldado Invernal é a grande trama por trás dos filmes do Capitão, ele foi fundamental para o desenvolvimento de Steve no primeiro filme, ele reapareceu no segundo filme e a vontade de Steve encontrá-lo será mantida. Simplesmente, dentro do filme do Capitão, não há como desenvolver a trama de Guerra Civil colocando Bucky como plano de fundo ou apenas como o estopim da Guerra. Novamente, citando os Irmãos Russo, a relação de Steve e Bucky é primordial para o filme. E para finalizar, dentro da trama de Guerra Civil ainda existe o grande vilão que precisa ser encaixado: o Barão Zemo. Parecem coisas demais para uma história que exige foco demais. O risco de transformar a “Guerra Civil” em uma “Guerra pelo meu Amigo” é grande.

Um dos maiores receios que o trailer passa é justamente a centralização no Capitão América, embora fosse óbvio que isso iria acontecer. Ao que parece, Bucky não é apenas o estopim, mas o alvo do governo. Eles, por algum motivo talvez associado a HYDRA, querem o Bucky vivo ou morto. Para atingir esse objetivo, o governo encontra uma forma de controlar os Vingadores e o “registro” é usado como pretexto para tanto. Afinal, usufruir de uma equipe de seres superpoderosos é uma grande vantagem para qualquer governo. Mas, Steve tomará as dores do seu fiel amigo e não aceitará ser controlado pelo governo e muito menos para embarcar em missão de caça ao Bucky. Então, se você não está do lado do governo, está contra. Eis que surge Tony Stark e seu time, não apenas para capturar Bucky, mas para trazer a força todos os outros Vingadores a topar esse acordo, transformando as ações dos Vingadores em operações governamentais. É quando começa a sensação de que, talvez, a HYDRA esteja mesmo por trás de tudo e, ao final do filme, todos Vingadores vão perceber sobre isso e se unir contra o mal – embora eu possa estar completamente errado e realmente desejo que eu esteja.

Talvez o filme trabalhe em apresentar o que falta, aparentemente, na trama: o teor civil além dos protagonistas – apenas faço suposições com os materiais que já foram divulgados e o quadro é alarmante. É aqui que trago a pergunta título deste artigo: seria mesmo o momento ideal para a Guerra Civil Marvel nos cinemas? Veja bem, até Guerras Infinitas teremos Doutor Estranho, Guardiões da Galáxia 2, o novo Homem-Aranha e Thor: Ragnarok. Nenhum desses diretamente envolvidos com a Guerra Civil, a não ser talvez o Homem-Aranha e, vale lembrar, a Marvel trabalha seus filmes solos como tramas independentes. Começa aquele receio de que a Guerra Civil seja iniciada, desenvolvida e finalizada, em um filme solo do Capitão e não consiga se expandir por causa da ameaça de Thanos.

Ao meu ver, não há espaço para a verdadeira Guerra Civil, que muitos fãs da Marvel esperam, enquanto Thanos estiver se aproximando e novos personagens estiverem sendo introduzidos. A Guerra Civil é uma excelente saga e teria potencial para ganhar destaque dentro do MCU. Eu arriscaria dizer que o melhor jeito de adaptá-la seria trabalhando mais o envolvimento popular nos filmes da Marvel, a relação heróis e sociedade, e após o desastre mundial que, provavelmente, acontecerá em Guerras Infinitas mostrar uma sociedade que exige que os Vingadores paguem o preço das vidas perdidas. Nesse contexto imaginário, o que aconteceria pós-Thanos? A grande entrada do arco da Guerra Civil que consumiria não apenas todos os filmes solos mas culminaria nos títulos Vingadores: Guerra Civil Parte 1 e Vingadores: Guerra Civil Parte 2. O papel que Thanos teve até a Fase 3, seria o papel que a Guerra Civil teria durante a Fase 4, mas isso já não vai mais acontecer.

Capitão América: Guerra Civil vai ser um ótimo filme, vai ter tudo que um filme da Marvel tem, vai se concentrar nos protagonistas, vai finalizar o arco da trilogia do Capitão América, vai reforçar o laço Steve, Tony e Bucky, vai ter aquele final motivacional que o amanhã será melhor, além de apresentar as cenas de ação e luta que todo nerd quer ver acontecer nos cinemas, dificilmente contanto com a morte do Capitão América. Mais um filme Marvel e, quem sabe, a altura de Capitão América: O Soldado Invernal, mas e a grande saga Guerra Civil dentro do MCU? Parece um ótimo pretexto para colocar os dois grandes heróis da Marvel em um ringue de luta com um vencedor já garantido. O importante agora é esquecer os quadrinhos e considerar Capitão América: Guerra Civil como uma obra inspirada em uma trama que pode ser desperdiçada em um filme sem o espaço suficiente. Mas, essa é claro, apenas a minha opinião nerd para um site nerd que tem esse objetivo.

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