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Cinema

Bingo: O Rei das Manhãs, Opinática

3 de setembro de 2017, POR

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Bingo: O Rei das Manhãs é um filme nacional que estreou no dia 24 de agosto de 2017. Com objetivo de ser uma cinebiografia de Arlindo Barreto, mesmo que opte por mudar todos os nomes inclusive do famoso palhaço “Bozo”, cumpre o seu papel em envolver o espectador de tal forma a passar um censo de realidade. Veja minha opinática sobre o longa!

Um dos primeiros pontos que deve ser destacado sobre o longa é o fato de Bingo ser co-produzido pela Warner Bros Pictures. Mais uma grande aposta do estúdio para o mercado nacional. Essa informação pode não parece, a primeira vista, tão relevante. Mas, a abertura do cinema nacional para desassociação com a Globo Filmes, pode indicar caminhos promissores para o futuro da sétima arte por aqui. Inclusive, em breve, está para estrear mais um filme da nacional da Warner: Divórcio, Até que o Amor Exploda. Sem mais delongas, vamos voltar para Bingo.

Bingo tem a sua narrativa inspirada na vida real de Arlindo Barreto – ator que deu a vida ao Bozo em terras nacionais no SBT durante a década de 80. Claro que, por questões autorais, vários nomes foram alterados. Apenas Gretchen continuou como Gretchen, sendo que a própria autorizou a utilização de sua imagem no longa. Porém é importante ressaltar que, em momento algum, as alterações retiram a validade do longa. Pelo contrário. Elas abrem espaço para inúmeras buscas de referências.

O longa se passa em uma época promissora. Os anos 80, anos dourados – embora eu tenha nascido nos anos 90, sempre sentimos os reflexos das gerações passadas. Esse foi um período da história totalmente fora do convencional. Nas cores, na moda, nos acontecimentos e, inclusive, na cultura. Com certeza o período ideal para ser representado nas telas do cinema, principalmente pelas possibilidades cativantes do ambiente visual e o exagero. Exagero esse que era tão real quanto as próprias histórias do filme. Bingo já mostra o quanto a sociedade brasileira gostava de uma “putaria” até mesmo em um programa infantil – comparado a tempo onde pequenas coisas causam polêmicas, era época da depravação total.

Uma das coisas mais fascinantes sobre Bozo era o seu anonimato. Um personagem totalmente conhecido, em todos os cantos do pais, mas com um ator completamente desconhecido – Patati Patata segue a mesma linha em tempos moderno, ao ponto de estarem em eventos simultâneos… ah se as crianças soubessem. Seguindo essa premissa, Bingo apresenta para o espectador os vários conflitos de Augusto Mendes – interpretado por Vladimir Brichta – ao lidar com situações onde a fama parece não significar grande coisa sem sua “máscara”.

Dirigido por Daniel Rezende, montador de obras marcantes como Cidade de Deus, Tropa de Elite e A Árvore da Vida, Bingo apresenta bastante zelo em sua construção. Fica a nítido a paixão da produção pela obra apresentada. Junto com o roteirista Luiz Bolognesi, o cineasta não mediu esforços na tentativa de criar uma trama pesada e realmente densa – embora com várias pitadas de alívio dramático. É como se tudo estivesse na dosagem certa. O filme trabalha em tons de cinza, sem exagerar para qualquer lado. Essa mistura minuciosa entrega uma experiência interessante. O espectador consegue sair do cinema impactado de alguma forma – eu, pelo menos, sai completamente sem palavras da sessão.

Como já era esperado, tal como foi bem vendido pelo marketing, o longa apresenta inúmeras cenas de consumo de drogas, sexos entre outras nuances. Bingo teve uma classificação justa. Mas ao contrário do que parecia, principalmente durante sua divulgação, nenhuma cena é gratuita. Tudo está ali de forma planejada e pensada para amarrar a trama de forma a convencer o espectador da realidade que o longa apresenta. Esse é um tipo de trabalho complicado de ser realizado. Contextualizar e, principalmente, inserir apenas elementos que fazem parte do conceito elaborado é uma das melhores coisas que Daniel Rezende consegue fazer.

Quanto ao núcleo de atuação, duas palavras: há entrega. Sabe quando você sente que atores se entregaram completamente ao que foram propostos? É o que acontece, principalmente, com Vladimir Brichta. Ele consegue transpor uma série de facetas complexas para Bingo e passar por uma transformação orgânica e natural. O longa dá tempo para desenvolvimento, sem desperdiçar tempo. Após assistir o longa, soa bastante estranho que a intenção inicial do diretor era a contratação de Wagner Moura para o papel principal, como Bingo. Brichta sustenta o filme de tal forma que os demais atores e atrizes, basicamente, já ganham o filme pronto e funcional.

São muitas emoções que o longa traz. É um exemplo das possibilidades do cinema nacional em adotar pretensões narrativas diferente do convencional. Não é pesado, não é leve, simplesmente é no ponto. Torna-se nítido o quanto a produção se diferencia, tanto na fotografia quando a dimensão de realidade que optaram por criar. Por falar em fotografia, sinto como se esse fosse um dos únicos filmes nacionais realmente cinematográfico. Entregando planos-sequências que conversam com a composição da cenas. Os diversos tons diferentes para as facetas de Bingo é um colírio para os olhos – realmente fiquei impressionado.

Inclusive, acredito que esse seria um grande filme para ser levado em festivais e até mesmo para o OSCAR. Com certeza um filme com bastante potencial – VAI BRASIL, não perde a oportunidade! É claro que existem opiniões divergentes. Bingo acabou sendo bastante divulgado como um filme depravado de comédia pastelão com um palhaço que faz piadas bem adultas. Talvez se você espera apenas isso, sentirá um certo desconforto no cinema – embora possa ter uma experiência bem melhor do que espera. O filme é mais e se prova diferente. O contexto dramático é o açúcar que precisava. Então, se a sua expectativa casa com a oportunidade de ver uma obra que te surpreenda, eu recomendo a ida ao cinema.

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